Processamento da informação no autismo

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Sabe-se que o cérebro da pessoa com autismo processa informações de maneira diferente do cérebro “típico” (por assim dizer)! Mesmo para os Aspergers, que estão numa extremidade do alto funcionamento do espectro, decodificar determinadas nuances da comunicação é muito difícil.
Uma criança com autismo que usa um vocabulário sofisticado muitas vezes vai se sair super bem conversando sobre assuntos que domina, mas poderá ter muita dificuldade em aprender e responder coisas simples na sala de aula. Essa mesma criança, super falante, esbarra justamente no fato que 93% da nossa comunicação ocorre à nível não-verbal! O corpo fala! E essa leitura de linguagem corporal está prejudicada no autismo.
Vamos parar para pensar nisso então?! Se mais de 90% da comunicação humana acontece no corpo, então todos os autistas têm muito a nos dizer, mesmo os não-verbais! Se eles possuem grande dificuldade em ler a linguagem corporal dos pais, dos professores, nós também falhamos em ler a linguagem corporal deles! Sendo que, em muitos casos, essa é a única linguagem que possuem.
E quando eu digo “nós falhamos”, peraí… pensando bem, já vou retirar aqui a maioria dos pais de autistas dessa berlinda! Sabem por que, né? Porque se existe ser humano pra ler olhares, gestos e até antecipar comportamentos dos filhos, esse ser é mãe e pai. Mais mãe, vai! Mais mãe sim! A gente não é vidente, mas é cada bola de cristal que a gente tem…
Agora voltando ao balé da comunicação; concluo que tornar o aprendizado e o dia-a-dia de uma pessoa com autismo mais fácil usando melhor nossas habilidades comunicativas também nos aprimora muito como pessoas verbais e “típicas”.
Creio que para haver ensinamento para eles, uma troca ocorre primeiro. Primeiro a gente se atreve a aprender com eles e depois a gente se atreve a ensinar pra eles que a via é de mão dupla.
Então eu lembrei de uma situação e vou pontuar um erro meu! Diversas vezes após as refeições já mandei Stella tirar o prato dela da mesa e levar para A MÁQUINA! Ela entende o comando em frações de segundo, mas fica parada no meio da cozinha e olha para a lavanderia em dúvida. Eu esqueço de especificar que é a máquina de lavar louças e ela fica em dúvida de verdade! Já aconteceu de ela levar o prato sujo direto para a máquina de lavar roupas e colocar lá em cima (muito pensativa e com a testa franzida, mas pôs lá)!
Ou seja, eu precisava e ainda preciso especificar algumas coisas porque o cérebro dela ouve máquina e aí… tem muita máquina!
É uma falha de comunicação minha que afetou a forma como ela respondeu ao meu comando de levar o prato! Gente, isso ocorre na escola o tempo todo! Isso ocorre em todos os lugares onde a inteligência e a capacidade dos nossos filhos acaba sendo colocada em dúvida. E por que? Porque conviver com o autismo exige disposição para reinventar as formas de comunicação que estão na nossa zona de conforto! É treinar e ser treinado para que nossos cérebros típicos e “atípicos”, mesmo tão diferentes, se harmonizem!
E era só isso. Só queria mesmo provocar essa reflexão para todos nós hoje. Harmonizem-se com esses falantes autistas de todos os pontos do espectro! O corpo fala! E a fala aprimorada abre portas pro amor passar, aprendendo e ensinando também!

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As escolas por onde andei…

Quem me acompanha há a um tempo sabe que eu batalhei muito pra ver a inclusão acontecer não só pra minha filha como para outras crianças autistas. Esse assunto de escola rende tanto que não vou poder entrar em maiores detalhes sobre o que já passou. Vou me deter aos acontecimentos mais recentes e colocar aqui algumas observações sobre o que eu penso hoje.

Fiz mais de dois anos consecutivos de homeschooling com minhas filhas no Brasil. Foi uma experiência das mais malucas que jamais imaginei encarar! Foi mágico e foi transformador! Eu não cheguei na educação domiciliar por vontade e sim por necessidade, mas aí… o jogo virou! De repente, me vi fazendo. Não conhecia mais ninguém que fazia, mas eu comecei. Quando decidi que essa seria a melhor alternativa para nós (depois de muitas tentativas de inclusão frustradas), eu fui fazendo sem mesmo dar um nome àquilo! Mas o nome “daquilo” era educação domiciliar! Foi tudo muito instintivo, muito orgânico. Eu tinha muitas perguntas, mas não tinha dúvidas  que era o certo naquele momento.

Antes de continuar quero deixar claro que tenho o maior respeito por todas as escolhas feitas pelos pais. Ninguém tem o direto de dizer que a maneira que escolheu para educar o filho está mais correta do que a de outra família. O mundo é muito grande e diverso e não podemos ficar olhando apenas pro nosso umbigo. E é por causa dessa diversidade que devemos lutar pelo nosso direito de escolher como educar. Cada um sabe onde o seu sapato aperta.

Então, amigos, eu vou bater um pouco aqui na escola tradicional. Vou colocar meu ponto de vista e depois cada um ouve seu coração e faz suas deduções e escolhas. Ou fica onde está!

O numero de crianças autistas no Brasil que estão sem escola é alarmante. Quanto mais novinha a criança, mais fácil é “incluir”. Quando as séries vão avançando a dificuldade de adaptar currículo, socializar com a turma, fazer acomodações sensoriais vai crescendo! Têm muitas famílias que, cansadas de tentar, entram em desespero e tiram os filhos da escola. O que vem depois dessa saída do sistema escolar vai depender muito da situação emocional, financeira e intelectual da família dessa criança.

Pois bem, atualmente os pais estão fazendo uma verdadeira revolução da educação no Brasil! O que tem de gente boa fazendo esses caminhos alternativos na educação não está no gibi! E eu fico toda orgulhosa quando alguém me escreve e me diz que começou por minha causa, que tomaram coragem pra tentar, que foram adiante… Logo eu, que nem sabia que o que eu estava fazendo ia me levar ao Conselho Tutelar! Pois é, fui denunciada ao Conselho por uma pessoa que sei quem foi! Ilustre funcionaria pública da Secretaria de Educação do Distrito Federal! Que mancada que ela deu. Na mesma velocidade que bateram na minha porta com uma intimação, depois, me pediram desculpas. Provei que eu estava muito longe de ser uma criminosa praticando “abandono intelectual”!  Segui o baile com mais vontade ainda de ser feliz depois disso. Mas não foi divertido ter que provar ao Estado sua própria incompetência.

Vamos ao meu conceito de escola ideal:

Meu conceito do que deveria ser uma escola de verdade é um assunto extenso e que eu adoraria dividir e debater com vocês melhor. Mas, só pra resumir, eu acredito que as crianças deveriam brincar. Sim, brincar de viver! Desenhar, subir em árvores, aprender a plantar, aprender a gentileza e a cidadania. Elas deveriam ter a oportunidade de descobrir e de perguntar mais do que de decorar e responder. Todas as matérias escolares deveriam ser revistas pelo bem da ciência, da tecnologia, da criatividade e do novo mundo que se descortina. Uma escola onde, assim como Ebony e Ivory no teclado de Paul McCartney, o IPad e a horta orgânica pudessem coexistir em harmonia!

A maioria de nós  precisa da escola no mundo moderno. Os pais precisam trabalhar, nem sempre a mãe ou o pai podem abrir mão de seu salário pra ficar em casa com as crianças em tempo integral. Cada família tem suas necessidades específicas. Cada uma deve avaliar onde a realidade se encontra com os ideais que cada um tem.

As escolas por onde minhas filhas passaram eu também passei! Sempre fui a mãe do portão pra dentro! Essas escolas todas pareciam as escolas onde estudei. Copie, repita, abra na página… Me angustia muito essa pegada antiga! Que coisa velha e falida separar tudo em matérias o tempo todo! Os conteúdos deveriam coexistir, mesmo sendo oferecidos por professores diferentes. Por que não?
Sabe onde a maioria das escolas de hoje difere das escolas antigas? No marketing! Sim, elas fazem parecer que seu filho vai ser ensinado a ser um cidadão do mundo, bilíngue, leitor assíduo… os comerciais de tv e os folders das escolas mostram as crianças em torno do globo terrestre curiosas, dentro do laboratório de ciências dissecando besouros, brincando de roda felizes e descalços! Não é assim que eles vendem a imagem das escolas particulares? Mas, na real, é só marketing mesmo! 90% do tempo seu filho vai estar confinado em sala, obrigado a ficar sentado numa cadeira olhando pro quadro e vendo as fotos da vida impressas num livro! Toda essa curiosidade e diversão vão ficar só no folder mesmo! No outdoor e na TV tudo é belo! Mas na realidade dá trabalho levar a criançada pra a zona de desconforto! Dá trabalho ensinar do jeito que a criança melhor aprende! E aí é que entra o autista na escola. Se a escola não se molda e não evolui nem em prol dos “típicos”, imagina se vai mudar em função dos “diferentes”! Eu já estive dentro das trincheiras em escolas públicas e particulares ditas inclusivas! Eu fiz acomodações sensoriais em sala de aula pra minha filha e pra outras crianças! Eu fiz adaptação curricular que era papel da escola! Dei palestra pros professores. Mostrei como seria uma sala sensorial e escrevi um projeto com consultoria de uma TO. Elaborei apostilas. Fui AT da minha própria filha por 40 dias! Treinei AT! Ajudei diretora de escola a conversar com pai de aluno que não queria aceitar o diagnóstico de autismo do filho! Briguei com secretarias de educação. Fui levar doação de material em escolas em diversas cidades satélites de Brasilia. Resumindo; Pensei que eu podia mudar o sistema…

Bem, mudei o sistema na minha cabeça que era onde eu podia dominar. Onde não entram recursos públicos, onde não entra marketing bem montado de escola de luxo – minha cabeça! De tudo eu tinha visto, mas ainda não tinha visto o que eu era capaz de fazer deixando as coisas acontecerem como eu achava que ia ser mais produtivo para minhas filhas. Elas me deram a deixa! Elas já sabiam que podiam e eu não sabia nem pra que lado era o Norte! Não existe fórmula para a educação domiciliar. Cada um deve construir seu rumo muito devagar. Primeiro entenda os motivos que te levaram a esse novo conceito na sua vida. Depois experimente e veja como seu filho ou seus filhos irão responder. Depois procure apoio de outras famílias, referências  de recursos e faça conexões saudáveis dentro desse universo. Assim fluirá. Assim fluiu para nós.

Quando voltamos pros EUA, onde minhas filhas nasceram, as coisas foram tomando outra forma. Eu precisava pegar o IEP da minha Stella. O IEP significa que a criança será avaliada por uma equipe multidisciplinar e terá um programa individualizado de educação. Esse plano aborda todos os aspectos da vida escolar. Existem objetivos traçados para o comportamento, a socialização e as conquistas acadêmicas. Tudo baseado em avaliação prévia. Esse IEP acompanhará a criança desde o momento da confirmação do diagnóstico e da confirmação da necessidade dos serviços até a faculdade.

Então, decidi ano passado!  Quero um IEP! E preciso que Stella fale inglês. Não deu outra! Com um mês de escola eu já ouvia as primeiras palavrinhas! A fonoaudiologia, as aulas de inglês e a terapia ocupacional estão incorporadas no dia dela dentro da escola! A salinha tem apenas 6 alunos. Ela não foi mandada pra sala comum inclusiva por causa da barreira do idioma. A sala reduzida só tem autistas. Toda a estrutura da sala está voltada para que o dia flua. Sinais sonoros para troca de atividades, murais, recursos visuais para cada necessidade. Tempo dividido entre atividades feitas em IPad ou computador com atividades feitas em folhas de papel. 1 professora e 2 auxiliares para cada classe de 6 a 8 alunos.

Para minha surpresa Stella se adaptou e ficou encantada com o ônibus escolar amarelo! As primeiras semanas foram difíceis e ela ficava tão ansiosa que vomitava o café da manhã, tadinha! Mas depois ela foi vendo que tinha música, arte e outras coisas que ela gosta na agenda do dia e foi ficando mais à vontade.

E então, há duas semanas atrás, eu percebi uma crescente ansiedade. Crises de irritabilidade e muito TOC. Pra encurtar a história eu pedi uma avaliação detalhada da professora, pois eu estava vendo que a escola não podia oferecer os intervalos de que Stella precisava para se recompor. Fizemos uma avaliação completa com a médica que acompanha o tratamento dela aqui também! Fizemos exames e vimos que reapareceram os famigerados fungos intestinais. Isso pra mim aponta direto para uma necessidade de fazer ajustes importantes na dieta. Ja vi esse filme! Se eu não tratar a bola de neve fica maior que a gente e nos engole.

Convoquei uma reunião com a equipe escolar e expus toda a minha preocupação com a saúde da minha filha. Aqui temos um histórico complicado de questões imuno-metabolicas. Nao posso deixar a peteca cair! Ja fui dizendo que tomei a decisão de aperfeiçoar a dieta da Stella. Também expus a questão da tolerância dela ao stress, a necessidade de oferecer outros ares, um ambiente controlado pra dar um reset nessa vibe negativa de rigidez dela. Aquele negócio de mindset, sabe? A gente não pode ter medo de mudar o rumo, pensei! Eu falei pra elas que ia voltar a ensinar em casa e que eu gostaria de conservar os serviços de fonoaudiologia e terapia ocupacional! E foi aí que eu me deparei com o contraste entre a educação daqui e a do Brasil. Essa decisão de “dar um tempo” da escola por razões de tratamento de saúde não é nada pra causar espanto ou estranheza. Imediatamente me ofereceram a opção de ter aulas e terapias em casa! Uma vez que tenho um laudo médico dando suporte à minha decisão a escola somente cumpre seu papel de nos amparar nesse momento!

Pois é. Aqui estamos de novo! Posso ensinar do jeito que acredito! Com muito movimento e brincadeira. A escola me manda livros. Senhas de acesso aos programas usados no IPad da escola são fornecidas também!  Semana que vem começam as terapias e vem uma professora também. Tempo indeterminado. Vamos sarar esse intestino primeiro com muita comidinha fresca em livre demanda ao longo do dia. Vamos agregar novas terapias. Acordar sem muita pressa… essa fase de pré-puberdade é difícil pra toda menina! Imagina para as que tem autismo!

Ela deve voltar à escola. Mas a data ainda não temos em mente! Depende desse equilíbrio, dessa homeostase que já estamos reconquistando!

Tenho a sensação que a educação aqui vai ser sempre assim! Sempre plural. Sempre experimental. Sempre visceral. Na cozinha, depois no quintal. Lemos um livro, depois fazemos atividade no IPad! E aí tem as novas “tias” que vão vir trabalhar com ela e eu vou escapar pra a sala de TV e assistir A Casa de Papel … porque ninguém é de ferro! 😉

 

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Meu filho, por que você age assim?

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Muitas são as perguntas que cercam o autismo. Não a toa, o seu símbolo é o quebra-cabeças! Tudo o que os pais desejam é entender melhor os seus filhos. E entender melhor significa poder ajudar de maneira mais eficaz e compreensiva.

Mesmo que seu filho não fale, ele se comunica! Brincar de forma diferente é uma forma de comunicação, por exemplo. Mas, como fazer quando um comportamento não se encaixa nos padrões que a gente aprendeu e por isso não sabemos como agir, nem como ajudar e SE devemos interferir? E quando esses comportamentos oferecem riscos, o que fazer?

Muitos comportamentos ficam automaticamente creditados “na conta” do autismo, portanto é importante separar as coisas. Precisamos entender que ser autista não significa viver em sofrimento constante. Tudo o que puder ser tratado vai melhorar a qualidade de vida dos nossos filhos e nos proporcionar uma vida mais tranquila.

Quem sabe as dúvidas abaixo sejam algumas das suas também! E que as respostas ajudem de alguma forma a encontrar os caminhos…

Vamos a elas;

  • Por que meu filho faz a mesma coisa, o mesmo movimento ou diz a mesma frase repetidas vezes? comportamentos repetitivos são parte do autismo. Estereotipias e comportamentos de auto-regulação servem de conforto para o autista. Adultos com TEA relatam que movimentos, falas e comportamentos em geral chamados de auto-regulação acalmam seus nervos. Eles confortam e equilibram o autista em momentos onde o que ele sente pode ser muito intenso. Isso vale para alegria, incomodo, tristeza, ansiedade, etc…  Quanto melhor organizado sensorialmente o autista for, menos ele necessitará dessas vias de escape. Lembrando que eles sentem tudo com maior intensidade causando uma inquietação orgânica mesmo! A repetição é uma estratégia do autista para conter uma avalanche muito forte que não conseguimos compreender por completo porque nosso organismo e nosso cérebro estão alinhados de outra forma.
  • Por que meu filho assiste os mesmos filmes, as mesmas cenas de filmes ou desenhos mil vezes? Porque autistas se agradam de rotina e familiaridade. Rotinas são reconfortantes. O cérebro do autista funciona e aprende melhor com repetição e previsibilidade. Essa rigidez muitas vezes interfere com as atividades diárias e deve ser trabalhada de forma assertiva, ou seja, com convicção da parte dos pais e terapeutas, mas também com extremo respeito e empatia para com a criança, adolescente ou adulto autista. Alguns pais percebem melhora desses comportamentos ao adicionar algumas vitaminas e minerais que estejam em deficiência no organismo do autista. Um exemplo legal de suplemento é o inositol ( que faz parte do complexo B), ele desempenha inúmeras funções importantes no corpo e na mente! Não subestime o valor de uma boa suplementação pra a saúde mental dos nossos filhos.
  • Por que meu filho brinca alinhando os brinquedos ou girando objetos? Isso é uma mistura de comportamentos de auto-regulação, TOC e auto-estimulação. Tem a ver com as mesmas explicações dadas anteriormente. Terapias como ABA e Floortime, por exemplo, são abordagens eficazes para despertar a mente do autista para a brincadeira funcional. O componente inflamatório do autismo deve ser levado em conta como colaborador para muitas disfunções sensoriais. As correções para a melhoria da qualidade de vida do autista devem ser feitas de dentro pra fora e de fora pra dentro. Uma alimentação livre de alimentos pro-inflamatórios e rica em gorduras boas, proteínas de qualidade e fibras ajuda a regular o organismo como um todo.
  • Por que meu filho é tão hiperativo? Os autistas precisam ser ajudados a regular seu sistema vestibular. Essa desregulação faz parte da disfunção sensorial. Um bom terapeuta ocupacional vai ajudar seu filho a integrar esses sistemas e isso organiza o autista em todos os aspectos. A hiperatividade é uma consequência dessa desordem. Muitos estudos científicos já comprovam que remover corantes, sabores artificiais e glutamato monossódico (realçador de sabor) das refeições é uma medida eficaz contra a hiperatividade.
  • Por que meu filho não tem medo de nada, nem noção do perigo e até foge? Porque autistas tem dificuldade em entender causa e efeito e tem uma percepção espacial prejudicada. Uma situação traumática como um atropelamento pode ser entendida por nós sem a necessidade de passarmos por ela, mas não se concretiza facilmente na mente de um autista. Se perceber no espaço requer também organização sensorial, função do sistema proprioceptivo. Por isso não é fácil eles entenderem que se atravessarem a rua de repente podem ser atropelados por um carro. Tudo o que precisamos ensinar a eles nesse campo dos perigos temos que modelar. Temos que usar dicas visuais interessantes. Cartas com fotos e passo a passo, videos, teatrinho com brinquedos ou pessoas reais, vale tudo para que eles aprendam. Acontece com frequência de algum autista sair de casa ou mesmo da escola sem rumo. Na mente dele aquilo é um passeio normal. Ele não consegue calcular que existem riscos pela rua e que seus pais terão dificuldades em encontra-lo. Toda a segurança é pouco quando se trata de um ambiente onde existem autistas. Nunca desistam de ensinar causa e efeito para eles.
  • Por que meu filho vive fascinado pela água? (chuveiro, piscina, praia) Porque a agua proporciona uma experiência sensorial completa! A água envolve e abraça o corpo de forma leve. Até mesmo os nossos movimentos e os impactos deles são atenuados dentro da água. O barulho da água nos acompanha desde o ventre. Até o seu som acalma os nervos! Crianças autistas devem ser ensinadas a nadar justamente por causa dessa questão de pouca noção do perigo. Além de ser um exercício super saudável, saber nadar pode evitar uma situação de afogamento.
  • Por que meu filho come coisas que não são comestíveis? Isso tem a ver com perceção gustativa alterada. Uma das causas pode ser deficiência de alguns minerais importantes para imunidade e metabolismo. Testar e suplementar de acordo pode ajudar muito com essa questão! A terapia de integração sensorial também trabalha nesse campo. Existem exercícios que podem ser feitos em casa para estimular esses sentidos a se organizarem. Ja fiz outros posts aqui no blog sobre o método Anat Baniel e o método usado pelo Dr Robert Melillo. Esses métodos trabalham áreas do cérebro que precisam amadurecer e realizar conexões importantes para a harmonização dos sentidos.

Espero ter ajudado vocês com alguma dúvida! 👊🏻

 

 

Dicas para estimular a fala em casa – PARTE 2

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Quem ainda não leu as primeiras cinco dicas é  só voltar ao post anterior,ok?

Quem ja leu o post antes desse deve ter percebido que o mais importante nesse processo está acontecendo nas entrelinhas dos estímulos! O objetivo de ver aflorar a fala nos motiva a continuar, mas o que deve nos empurrar pra frente todos os dias? O investimento de amor e de tempo que só os pais podem dar! O que chega pros nossos filhos é muito maior que desenvolvimento, é valor e significado! Acho que vocês me entendem. 😉

6- CHAME PARA OS SONS – Crianças pequenas imitam os sons dos animais antes mesmo de aprenderem a falar seus nomes, não é verdade? Galinha vira simplesmente a co có, cachorro vira o au au …e assim o bebê desenvolve associações capazes de impulsionar o cérebro deles para o próximo estágio da comunicação verbal. Nas crianças autistas essa percepção, em grande parte dos casos, está  prejudicada. Temos que trazer para eles o mundo dos sons! Minha maior felicidade quando minha filha era bem pequena era estar com ela dentro da lagoa no maior silêncio possível , sem ninguém por perto! Lembro quantas vezes eu ficava só com ela no colo flutuando e esperando o próximo som. Cada som de pássaro eu apontava e mostrava. Eu dizia a ela que ele devia estar com fome ou tentando achar a mãe dele! Eu inventava uma razão para aquele “grito” daquele pássaro! Eu imitava o som que ele fazia. Ela não imitava de volta, mas começava a perceber alí que havia outras coisas acontecendo paralelas à nossa realidade. Não sei o que se passava na cabecinha dela naquela época, mas eu lembro que foi muito feliz o dia que ela pegou um canudo de plástico e teve a iniciativa de ir cutucar uma grande mariposa na parede. O dia que eu disse: olha, o avião! E ela finalmente entendeu que aquele som pertencia ao avião e olhou pra cima na mesma direção que eu! Depois imitamos o som do avião e fizemos um avião com as mãos. Até mesmo quando algo cai no chão temos uma oportunidade de ensinar causa e efeito, podemos ensinar que qualquer som significa comunicação. Uma tampa de panela que cai, você pode dizer: “olha filho, a tampa da panela caiu porque eu bati nela. Faz barulho, né! Faz paaaaaaaaa” Como faz a panela caindo no chão? Faz paaaaa!                Não sei se voces conseguem acompanhar o que estou tentando dizer, mas seria mais ou menos como ensinar as coisas mais simples do mundo, as coisas mais naturais e corriqueiras do ponto zero! Você deve apontar, sonorizar e dar significado a tudo ao redor. E claro que não precisa passar o dia fazendo isso, mas se num momento dedicado à interação e troca você puder somente ficar em silêncio e perceber as coisas mais simples, isso já te oferece um vasto campo de trabalho. Imagine como se sentiu minha filha aos 3 anos percebendo que uma mariposa cutucada por um canudo fica incomodada e muda de lugar. Depois voa! E foi ela que provocou esse vôo, com esse som de asinhas batendo! Imagine como se sente um autista que percebeu que pertence ao todo, atua no todo, imita um som e os outros sabem que som é aquele e o valorizam! Isso também é fala! Pensem nisso!

7- ECOLALIA DO BEM – Eu falei na live que a ecolalia aqui foi boa. Existem dois tipos de ecolalia, a imediata e a tardia. Mas eu não vou aqui dar essas explicações, pois já têm artigos sobre isso por toda parte. Eu apenas venho sugerir que quando seu filho estiver falando aquela frase de desenho do tipo: “essa foi por pouco”, está na hora de você meter o bedelho nessa ecolalia! Muitas vezes eu simulava com brinquedos uma situação onde o “essa foi por pouco” poderia ser aplicado! O segredo é dar função a tudo aquilo que é repetido com frequência pelo seu filho. Outra coisa que a gente fazia aqui era cantar uma música que Stella repetia sem parar por volta dos 5 anos e meio. Ela já falava algumas palavrinhas, mas a maior parte da fala dela era ecolalia. A parte da música que ela repetia dizia: “se não olhar pra baixo caio no buraco”. Toda vez que a gente ia no clube o meu marido colocava ela nos ombros e andava perto dos valões que levavam a água da chuva pro lago. E aí ele fingia não olhar pra baixo e quaaaaase caia no buraco! A gente fazia isso instintivamente, eu não estava pensando em “terapia”, eu estava apenas pensando em explicar pra ela em que situações da vida você tem que olhar pra baixo para não cair num buraco! Se a gente usa aquilo que mais interessa pra eles como veículo de aprendizado é mais fácil de dar significado às coisas! Se frases repetidas aparentemente sem significado podem se tornar concretas e uteis, imagina o que será possível fazer quando essa criança começar a aplicar ela mesma essas frases nos contextos corretos. Tudo isso porque ela teve o modelo e foi despertada para isso. Em qualquer lugar, em qualquer situação, fora de 4 paredes e apenas porque a gente valorizou algo que parecia ser apenas um entrave do autismo. A ecolalia pode se tornar sua aliada! Ao inves de tentar somente pará-la, transforme os limões em limonada. Pensem nisso!

8- PONHA SEU FILHO EM MOVIMENTO – A neurofisiologia da fala é complexa, existem muitas “teorias” sobre a ausência de linguagem verbalizada no autismo. O que a gente precisa mais entender é que o corpo funciona de forma integrada. Exercícios físicos bem coordenados e bem aplicados como natação, capoeira e judô são formas de estimular a coordenação harmonizada do corpo. A integração sensorial, a (re)organização neurofuncional, a fonoaudiologia, Floortime… tudo o que for feito com o corpo movimenta o cérebro tambem. Pense nisso!

9- NUTRA O CÉREBRO – Uma dieta adequada e individualizada também alimenta o cérebro e literalmente “desanuvia” a mente para novos aprendizados. Pense sempre holisticamente. Não é somente a fonoaudiologia que coopera para a fala, assim como todas as terapias devem conversar entre si, o corpo conversa entre si e forma novas conexões a partir de estímulos variados. Uma criança com alergias alimentares múltiplas, por exemplo, está  enfrentando um processo inflamatório crônico. Isso resvala no desenvolvimento e provoca atrasos. Todos nós nos beneficiamos de uma alimentação saudável e nutritiva, com o autista não é diferente! Pense nisso!

10- CONTROLE SUA ANSIEDADE – Sim, isso mesmo! Todos os pais estão ansiosos por ouvir os filhos falarem já que somos uma espécie  comunicativa com estruturas sociais complexas que dependem da linguagem verbal para o pleno funcionamento. É muito natural que isso seja o centro das nossas atenções. Nenhum pai ou mãe deve ser condenado por querer ouvir seu filho falar. Me lembro bem da angústia desses dias. Por isso insisto que os pais e principalmente as mães encontrem o significado do processo, da caminhada. Tudo o que eu sugeri nesse post pode ser feito com objetivo de se obter alguma linguagem verbal, mas o FOCO deve ser o benefício que pais e filhos colhem nessa caminhada. Leiam as dicas, mas leiam principalmente aquelas últimas linhas antes dos “pensem nisso” porque é nelas que eu queria que todo mundo focasse. Engajamento, inclusão, significado, desafio… seu filho pode até  não saber falar essas palavras, mas elas estarão muito vivas e palpáveis para eles ao longo desse percurso!

Boas inspirações a todos!

 

 

Dicas para estimular a fala em casa (e uma avalanche de “pensem nisso!”)

Quem acompanhou a minha live no Instagram sobre “fala” sabe que eu procurei ficar no meu quadrado de mãe, ou seja, procurei não entrar na área terapêutica de consultório . (Instagram – Blog Poder Dos Pais)

Trago aqui 10 dicas simples que nos ajudaram bastante! Tudo muito caseiro, instintivo e feito com máximo carinho.

A fala começou a deslanchar aqui apenas após os 5 anos e meio. Antes disso tudo o que minha filha falava era rapidamente “esquecido” e ela não tornava mais a dizer. Eu ficava frustada, mas seguia o baile com os estímulos! O maior número de terapias ela fez entre os 3 e os 5 anos (depois meio que quebrou a banca! kkk), inclusive a integracao sensorial que citei em meu video! Ou seja, às vezes o estímulo está  sendo dado, a plasticidade está  acontecendo e, no momento certo, vai vir outro progresso no desenvolvimento! Cada um tem seu ritmo e sua “janela”! Nao entrem nessa pilha de “janela de tempo” igual pra todo mundo. Sabe quando te dizem que se algo nao acontecer até certa idade não vai mais acontecer? Não entre nessa pilha!

Então, vamos às dicas:

1- LEITURA (com expressividade!) – Estudos sobre o cérebro infantil em desenvolvimento mostram que a voz da mãe lendo pro seu filho é capaz de estimular novas conexões neuronais! Não desista de ler, mesmo que essa criança seja uma pimentinha que não para num lugar quieta. No início pode ser que você precise esperar a hora de ir pra cama. Com as luzes apagadas e uma lanterna… que tal fazer uma tenda de cobertor? Use a sua criatividade! O legal é ler sobre algo que seu filho tenha interesse. Nao importa a idade, sempre haverá algo que desperta mais a curiosidade dele! Não se esqueça de ler com uma voz firme e com muita expressão para cada frase e acontecimento, pode exagerar! Chame a atenção para si e para o livro! Com o tempo isso vai virar hábito, pode acreditar! Quando voce lê pro seu filho não está apenas contando uma história. Você está passando pra ele uma valiosa informação sobre como as palavras que ele ainda não entende ou não sabe reproduzir também podem pertencer ao mundo dele! Você está dizendo que acredita no seu filho ao ponto de desafiá-lo! Pensem nisso!

2- CONVERSE – Mesmo quando seu filho não for capaz de responder, converse! Voce pode contar sobre o seu dia. Pode comunicar a agenda da semana. Contar uma piada! Eu lembro que tinha um desenho animado onde um personagem contava a velha piada da galinha atravessando a rua e o outro caia numa gargalhada! Stella ainda não falava, mas ela imitava essa gargalhada. Para dar sentido a essa imitação que ela fazia eu comecei a dizer a ela que so podia rir depois que acabasse a piada, ai eu contava a piada da galinha e quando eu acabava de contar era a “deixa” e aí ela dava a famosa gargalhada do personagem! 😀 Parece uma bobagem, afinal, ela entendia a piada? Ou estava apenas repetindo um som fora de contexto? O importante era que eu queria dar importância e significado à aquele som que ela conseguia reproduzir, mesmo que ela não entendesse sua aplicação naquele momento. Ou seja, ache uma maneira de se comunicar com qualquer som que seu filho puder emitir! Isso não serve apenas para estimular uma possível comunicação verbal, serve também para a inclusão de um autista que não verbaliza quase nada no contexto social das palavras! Um contexto muito elaborado e complexo que ele talvez só possa adentrar quando eu valorizar o pouco que ele consegue expressar dentro de uma situação compartilhada. Ja pensou sobre isso? Já pensou como deve ser ruim saber emitir poucos sons e esses sons não serem valorizados em nenhum contexto por ninguém? Pensem nisso!

3- CANTE – Para alguns essa dica pode ser a mais valiosa. Tem criança que vai literalmente parar o que está fazendo pra olhar pra você se você simplesmente se propor a cantar algo. A plasticidade neuronal de que tanto falo tem uma tríade preferida! Os 3 ERRES ( R R R)! Ritmo, rima e repetição! Tudo o que precisa ser ensinado ao autista pode ser ensinado dentro desse triângulo de erres! Muitas noites eu cantei “alecrim dourado” em ritmos diferentes (rock, forró, sertanejo) e usando velocidades diferentes! Na época que Stella tinha seus 3, 4 aninhos eu morava em Natal e lá toda casa tem rede! Eu balançava na rede e cantava isso sem parar porque era o único momento de contato ocular e os únicos sorrisos que eu recebia da minha filha naquela época. Em outros tempos lembro que eu cantava a historinha do nosso dia na hora de dormir. Claro que não rimava nada, né! Não sou repentista! haha… Mas ela me dava uma enorme atenção lembrando de cada coisa que a gente tinha feito naquele dia. A música oferece inúmeras possibilidades, então use a criatividade e se divirta junto! Hoje a minha filha está  numa fase pré-adolescente chatinha, então, se eu canto, ela me diz pra parar de cantar! 😛 Mas, vejam só, logo hoje, ela achou uns videos na internet com músicas do Balão Mágico ! Imaginem a cara dela quando eu, lá do meu quarto, ouvi o refrão e comecei a cantar bem alto… “ai meu nariz, atchim, ai meu nariz, atchim! Ele parece muito mais um chafariz…” Olha, essa menina correu pra onde eu estava e me deu uma encarada do tipo… oi? Como voce sabe essa música e eu nunca ouvi? 😀 Cantar libera endorfinas, não só acalma os nervos como eleva o espírito! Com toda a certeza você estará fazendo um bem a si mesmo, mesmo que seu filho não esteja lá tão impressionado com sua performance! Pense nisso!

4- ESTIMULE IMITAÇÃO – Eis um dos pré-requisitos para a fala! Verdade! Toda criança pequena imita os pais. Chega uma idade que o bebê quer calçar o sapato do pai, quer dançar se vê que todo mundo está dançando, quer girar a direção do carro como se estivesse dirigindo. Depois dessa fase vem o quê? A fala. O bebê sai do “tatibitate” e chega chegando no universo das palavrinhas. Como nossos filhos estão com atraso de desenvolvimento será preciso realinhar essas etapas. Eu gosto muito da proposta de (re)organizacao neurofuncional. Mas, em casa, temos que nos virar com o que temos. Uma coisa que eu gostava de fazer era colocar Stella de frente pra um balanço e demonstrar pra ela como empurrar a irmãzinha dela pra balançar. No método ABA são usadas as demonstrações com ajuda física e verbal para a imitação. Depois você pode dar apenas a dica verbal; “vai lá, empurre sua irmãzinha no balanço!” Você pode ensinar a imitar literalmente qualquer coisa. Chutar bola, dar mamadeira pra boneca e até coisas mais complexas como uma dança. O objetivo é que esse desejo de imitar venha a acontecer naturalmente depois. Já pensou como se sente uma criança que acabou de imitar uma coisa que ela viu o pai fazendo? Dentro da cabecinha dela houve um grande planejamento até chegar na ação. Isso não só coopera com os processos da fala, mas também promove uma maravilhosa sensação de pertencimento no contexto social! Pense nisso!

5- BRINQUE – Estimular a brincadeira funcional, com sentido, com imitação da realidade. Uma crianca com desenvolvimento típico vai usar seus brinquedos para reproduzir as coisas que ela vivencia, certo? Mesmo assim essa criança típica só vai fazer esse teatrinho com aquilo que mais a interessa. Com o autista não será diferente! O planejamento que precisa acontecer no cérebro para que uma situação de brincadeira tão simples aconteça é enorme. Então, como mãe e , na minha experiência pessoal, eu creio que não só devemos brincar com eles, mas devemos brincar POR eles! Sim, você que está  dando o modelo, lembra? Lembro que eu me engajava numa brincadeira sozinha e apenas pedia para Stella segurar algum bonequinho. Quando eu precisava dele “na minha brincadeira” eu dizia pra ela: “ei, me dá aqui que ele agora vai dormir, tá com sono!” Da proxima vez eu dizia pra ela: ” Põe  ele na caminha pra dormir”… Com o tempo as instruções iam se tornando mais elaboradas e mais inclusivas e ela começava a prestar mais atenção no que eu estava fazendo com aqueles brinquedos. Era bem complicado, pois, naquela época, ela preferia brincar com livros, objetos de cozinha ou pedrinhas do jardim. Tinha que ser algo que ela pudesse enfileirar, empilhar ou separar em categorias! Mesmo assim ela aprendeu a brincar funcionalmente com brinquedos. Com muita repetição, insistência! A brincadeira passa a ser prazerosa quando eles entendem que usar a imaginação é algo que eles podem controlar 100%! No início eles vão querer brincar apenas sozinhos, o que já é muito válido. Minha filha até hoje só brinca sozinha, dificilmente ela permite que alguém entre na historinha dela ou retire algum brinquedo do lugar. Mesmo assim eu considero que essa interação com o brinquedo trouxe novos horizontes para a mente dela! A capacidade de abstração e de inventar algo novo com base na realidade ou na ficção pode significar uma nova etapa no desenvolvimento do seu filho. O brincar para pais e terapeutas significa um progresso cognitivo, mas para a criança pode significar simplesmente o valioso gostinho da infância. Quando a alegria de ser apenas uma criança prevalece acima do autismo todos em volta saem vencedores. Pense nisso!

AINDA FALTAM MAIS 5 DICAS, MAS VOCÊS  VIRAM COMO AS DE CIMA RENDERAM MUITO ASSUNTO? 🙂

Vai ter a parte dois desse texto! Pensem nisso TAMBÉM! kkkkk

Eita, mulher pra ter assunto!

Por hoje eu fui! 😉852B79D1-2F06-4134-90C5-1C19C4CF21C4

Distúrbios do sono em autistas

 

Dormir mal tem consequências físicas e emocionais para pais e filhos. Durante alguns anos eu tive sérios problemas com isso. Lembro que quando as crianças iam para a escola pela manhã eu voltava para a cama e, aí sim, dormia algumas horas consecutivas em paz! Somente quando identificamos e tratamos as causas daquele “sono quebrado” foi que o pesadelo teve um fim.

Pesquisas indicam que mais de 80% das pessoas com autismo possuem algum distúrbio ligado ao sono. Em muitos casos os tratamentos típicos com medicamentos têm efeito apenas temporário porque acabam não tratando as causas do problema. Além disso, pessoas no espectro passam menos tempo no sono REM, o que torna o sono menos reparador e mais agitado.

Existem dois cenários mais comuns ralatados pelos pais:

1- O filho adormece logo, mas acorda durante a madrugada.

Quais as causas possíveis?

-Dores e incômodos causados por refluxo gastroesofágico. (Nem sempre esse quadro é evidente durante o dia enquanto seu filho não está deitado) – o primeiro passo é fazer essa investigação com gastro. Isso pode, mas não se limita a; remover alimentos da dieta que estejam provocando alergias/intolerâncias. De antemão pode-se eliminar aqueles que agravam quadros de azia e refluxo como; cafeína, tomate, alho, cebola, bebidas gaseificadas, comidas gordurosas. (Procure um nutricionista o quando antes). Pode ser que seja necessário fazer uma endoscopia (o gastro orientará). Se seu filho “rumina” os alimentos horas depois de ter ingerido, se parece estar com azia, se aperta a barriga, se vomita após comer, faça uma investigação urgente! Não ache que é mania ou atribua isso ao autismo.

– convulsão – se você suspeita que seu filho pode estar tendo convulsões ou micro convulsões leve-o a um neurologista para fazer as investigações necessárias!

– Neurotransmissores em desordem – a medicina integrativa/ortomolecular tem muito a oferecer nesse sentido! Lembrando que a maioria dos nossos neurotransmissores são fabricados no intestino (nosso segundo cérebro), então não tem como tratar “a cabeça” sem tratar o intestino com uma dieta adequeada, uso de probióticos para garantir uma boa flora e muita água de boa qualidade.

2- O filho fica acordado por muitas horas, custa a adormecer e ainda dorme pouco.

Quais as causas possíveis?

– Fungos intestinais, vermes, deficiência de vitaminas e minerais (como ferro e magnésio). Fazer exames para detectar e tratar.

– Efeito colateral de algum remédio que esteja tomando. Leia a bula! Eu sei que parece óbvio esse conselho, mas leia! Algumas pessoas são extremamente sensíveis a qualquer tipo de medicação. Se você suspeita que algum medicamento está interferindo no sono do seu filho, não perca tempo, converse com o médico que prescreveu.

– Disfunção autonômica do sistema nervoso – também pode causar insônia induzida por ansiedade ! Converse com o médico se você acha que essa é uma possibilidade.

Na prática, o que pode ser feito para melhorar o sono?

– Durante o dia: exercícios físicos (cardio), yoga, atividades de regulação sensorial. Acordar na mesma hora sempre, mesmo aos finais de semana.

– A noite: uma rotina mais calma a noite nas horas que precedem a ida para a cama. Banho morno de sal amargo (sal de Epson). Quarto escuro. Nada de eletrônicos ou luzes fortes. Use os recursos visuais para mostrar a hora de ir pra cama (procurar manter a mesma hora todos os dias, mesmo no final de semana). Se toda a casa colabora e a família desliga aparelhos, acende apenas abajures, desaceleram, a coisa flui bem melhor. Criar um ritual diário e previsível é importante.

– Suplementos que ajudam o sono: melatonina, L-theanine, taurina, GABA. (Converse com o médico) Herbais: valeriana, camomila.

Para nós foi fundamental tratar um quadro de refluxo gastroesofágico e colite. O quadro era causado por alergias alimentares múltiplas. O que mais nos ajuda aqui é valeriana, GABA e a melatonina (hormônio do sono).

É bom lembrar que nenhuma mudança de hábito ou de mentalidade acontece do dia para a noite. Decida, pesquise, estude, ouça seus instintos e procure ajuda profissional. Nada de colocar tudo na conta do autismo!

(As informações aqui prestadas não substituem  o acompanhamento médico e nutricional. Informação é poder!) 👊🏻💙9CE7B3E1-7580-409E-8F88-3517DE0D4E75

 

 

 

Uso da Cannabis medicinal para tratamento do autismo

Olá pessoal! Segue aí o meu resumo em livre tradução da palestra do Dr Berger sobre uso da cannabis no autismo. Usem essa informação com responsabilidade. Sei que esse é um assunto recorrente nos grupos de pais. O uso do CBD tem crescido com resultados positivos no Brasil, apesar de ainda não haver liberação para o uso de cepas variadas. Aqui nos Estados Unidos a legislação é diferente de um estado para o outro e muitos pais acabam se mudando em busca de mais opções para o tratamento dos filhos, principalmente quando se trata de epilepsia e autismo severo com muita agressividade. Espero que seja esclarecedor pra vocês como foi pra mim. Dividam conosco suas experiências nos comentários. Eu não estou apta a responder perguntas sobre esse assunto, levem tudo para os médicos que acompanham vocês, ok? Boa leitura! 
 

Uso da cannabis no tratamento dos sintomas do autismo:

Dr David Berger
Primeiro vamos conhecer algumas definições importantes:
Cannabis – um gênero de plantas de flores
Canabinoides:
-CBD – (canabidiol) Um dos dois principais canabinoides de uso medicinal. Não possui propriedades psicoativas. A menos que seja de origem sintética todos os produtos de CBD possuem alguma pequena quantidade de THC (que pode ser medida).
-THC – (9- * tetrahidrocanabinol) O outro principal canabinoide de uso medicinal. Tem psicoatividade dependendo da dose utilizada. A menos que seja de origem sintética todos os produtos de THC possuem alguma pequena quantidade de CBD (que pode ser medida).
Existe ainda o CBD-A, THC-A e outras formas.
– Cannabis Indica – Efeitos mais sedativos, relaxantes e calmantes. Mais usado a noite.
– Cannabis Sativa – Efeitos mais energéticos, estimulatório. Mais usado durante o dia, pois pode causar insônia a noite.
– Hybrida – Planta polinizada com um mix, possui propriedades de ambas acima citadas.
– Cannabis Ruderalis – Baixo THC, alto em CBD.
– Hemp – Uma espécie da Cannabis Sativa que tem sido usada para fins industriais (existe o leite de hemp, barras de cereal a base de hemp, hidratantes corporais, etc…) Naturalmente alto em CBD e baixo em THC.
Agora vamos entender um pouco sobre o nosso sistema endocanabinoide:
 CB-1
– Localiza-se no sistema nervoso central;
– É estimulado pela anandamide, um canabinoide natural fabricado pelo corpo;
– É estimulado pelo THC, isso causa o efeito psicoativo;
-CBD pode bloquear a atividade do THC no receptor CB-1.
CB -2
– Afeta principalmente o sistema imune;
– Imunossupressão – pode ser bom para para condições autoimunes, condições hiper-inflamatórias;
– Processo de apoptose (morte celular natural programada);
– Modula sensação de dor e pode ter um papel determinante no processo de várias doenças no fígado, nos rins e até doenças neurodegenerativas;
– Também encontrado no sistema gástrico e sistema nervoso periférico.
Como funcionam os produtos à base de CBD e Hemp que estão no mercado?
– Falta informação precisa em muitos desses produtos;
– Por vezes a quantidade de CBD por gota não pode ser precisado;
– Muitos não podem comprovar pureza e precisão das quantidades descritas nos rótulos; (falta certificado de análise)
– Em alguns países e estados dos Estados Unidos não são permitidos produtos à base de CBD ou Hemp.
Obs: É muito importante checar a procedência e a certificação de pureza dos produtos que você usa.
Quais as rotas de administração que já existem?
Oral: (a principal)
-Importante saber que todo produto engolido passa pelo fígado antes que seja distribuído para os músculos, cérebro, etc…
-No fígado alguma parte é metabolizada.
-Por causa dos processos de conversão do THC, por exemplo, o produto, ao ser administrado via oral, pode levar até duas horas e meia para fazer efeito.
Formatos para administração oral que já estão sendo usados:
– Tinturas: Normalmente mais concentrado que óleos, ótimo para uso sublingual;
– Capsulas: Lembre-se que vai ao fígado antes de ser distribuído ao resto do corpo;
– Óleos: Mais diluídos, difícil administrar sub-lingual, especialmente em doses mais altas.
– Pastilhas: Se mantido na boca até dissolver pode ter efeitos similares à absorção sublingual.
Outras formas de administração já em uso:
– Spay nasal: Age muito rápido (6-10 minutos). Ótimo para momentos de crise e convulsão.
– Supositórios – retal e vaginal;
– Transdermal (pele) – Feito pra entrar na circulação sanguínea;
– Adesivos transdermais – pode ser de curta ou longa duração. Libera pequenas quantidades de canabinoides dentro de um período de tempo com constante absorção. Talvez a melhor forma para ser utilizado em crianças seja essa.
Como introduzir o uso de canabinoides:
– Sempre comece com CBD que tenha baixa concentração de THC;
– Para iniciantes a melhor via de uso é a oral;
– Iniciar o uso pela manhã é sempre melhor, de preferência num final de semana para que possa ser observado cada efeito;
– Não aumente a dose antes de 3 dias consecutivos de uso;
– Para algumas pessoas a dose pode precisar ser diminuída e não aumentada, a dose é algo muito individualizado e as cepas também.
Vamos falar sobre a introdução do THC se o CBD sozinho não fizer efeito:
– A maioria das pessoas com autismo se dão melhor usando cannabis medicinal com alguma quantidade de THC presente; (quantidade varia individualmente)
– Os efeitos psicoativos do THC podem ser diminuídos ou anulados quando administrados com a quantidade certa de CBD;
– Inalação do CBD pode reverter os efeitos do THC se necessário;
– Com o uso contínuo do THC os efeitos psicoativos vão diminuindo.
Microdosagem de THC:
– THC pode ser usado frequentemente em pequenas quantidades para benefícios terapêuticos sem necessidade de usar uma dose psicoativa;
– É importante o médico avaliar com o paciente os efeitos da microdose comparado a doses maiores;
– Se houver alguma intercorrência no período inicial do uso o paciente pode ficar dois dias sem usar nada e ser avaliado pelo médico em seguida (aparentemente em 48 horas há uma espécie de reset nos receptores).
 
Quais as melhores cepas que podemos usar?
– Varia bastante de pessoa para pessoa. O mesmo produto pode ser usado por duas pessoas com peso e idade semelhantes e ter efeitos opostos;
– A variedade de cepas não está disponível em todos os países (alguns países liberam apenas o uso do CBD sintético sem THC na composição);
– Na experiência e pesquisas do Dr Berger ele não encontrou nenhuma cepa que considere superior a outra para um efeito específico.
Efeitos colaterais do uso medicinal da cannabis:
– Não se sabe os efeitos a longo prazo em crianças. Não se conhece ainda o impacto no cérebro em desenvolvimento, especialmente em crianças mais novinhas;
– Pesquisadores estão tentando descobrir se há interferência do uso medicinal da cannabis na cognição e memória de cérebros em desenvolvimento;
– Pode alterar a percepção das cores; (mais brilhantes)
– Mudanças de humor;
– Alteração nos movimentos do corpo;
– Alucinações (SE TOMADO EM ALTAS DOSES)
– Psicoses (SE TOMADO EM ALTAS DOSES)
Um pouco de genética – A cannabis é contra-indicada para aqueles com homozigose no COMT rs4680 ?
– Há um estudo de 2005 sugerindo que há conexão entre psicose e uso de cannabis em pacientes com mutação nesse gene.
– Um estudo maior e mais recente de 2011 não confirmou essa tese.
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Mãe de autista

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Mães de crianças com necessidades especiais em geral são muito rotuladas e os rótulos são sempre muito extremos. Ou é vilã ou é santa! 🤦‍♀️
Como todas as mães do mundo a gente está tentando acertar.
Não coloque o autismo na nossa conta, mas também não precisa canonizar a gente!
Assim como cada autista é um, suas mães também são! 👊🏻😉

 

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Mãe de autista

Por uns acusada de ser fria,
a insensível, a que rejeita.
Uma geladeira, uma mal amada
ou aquela mãe que não aceita.

Por outros considerada heroína, escolhida, evoluída e capacitada.
Quase uma entidade
com discreta identidade,
uma “mãezinha” imaculada!

Nem numa coisa nem outra
Não me rotulem mais
pelo meu caminho vc nunca passou
Me chame apenas pelo meu nome
Essa é a mãe que eu sou…

 

Seletividade alimentar no autismo

43DADB06-E279-4DF1-BBD0-0C8A6279819D.jpegVamos falar um pouco sobre seletividade alimentar?

A intenção aqui é trazer algumas dicas rápidas! Esse assunto é complexo e envolve desde problemas com a mastigação e deglutição até questões de processamento sensorial! Procure sempre ajuda profissional.

7 Dicas testadas por pais de autistas seletivos que deram certo: (retirado de experiências minhas e de pessoas/profissionais com quem convivi)

1- Já pensou que o problema pode ser a textura do alimento e não o sabor em si? Pense nisso! Um bife de carne pode ser passado no processador ao invés de ser oferecido inteiro ou cortado em tiras. Frutas como maçã e pera podem ser oferecidas em pedaços bem pequenos e sem a casca para facilitar a mastigação. Morder uma maçã inteira e mastigar o pedaço todo pode ser muito desafiador para alguns autistas e eles acabam evitando aquele alimento.

2-Brigar, gritar e fazer uma algazarra em torno da mesa só vai trazer mais frustração. Procure criar o ambiente ideal para a refeição evitando atividades estressantes antes da hora de comer. Deixe seu filho mais à vontade e chame ele para a mesa com um sorriso no rosto! Você pode parabenizá-lo cada vez que ele tentar, mesmo que ele cuspa a comida na sequência. Cada tentativa deve ser celebrada! Alguns pais usam um sistema de recompensa quando o filho come tudo ou quando experimenta algo novo. Peça orientação de um profissional para fazer isso da melhor forma. Eventualmente não será mais necessário fazer isso.

3-Para que seu filho prove um alimento novo talvez seja necessário ele usar outro sentido antes do paladar, o tato! A forma como os autistas processam os estímulos externos ( e isso inclui os alimentos) é bem diversa. Cada um tem uma necessidade diferente! Às vezes será necessário deixar seu filho brincar com a comida, manipular os grãos do feijão ou espremer os gomos da laranja, para só então tomar coragem de experimentar o sabor. Cheirar a comida também pode ser uma forma de introdução! Por isso mesmo só teste alimentos novos em casa onde fica mais fácil limpar a sujeira e trocar a roupa! Alguns pais relatam que seus filhos começaram a comer mais variedade quando foram estimulados a pegar e cheirar aquele alimento!

4-Você sabia que uma criança com desenvolvimento típico pode levar até 17 tentativas pra aprender a gostar de um alimento novo? Sim, essa é a média! Então por que desistir na primeira ou segunda tentativa? Seu filho provavelmente vai precisar de algumas tentativas e muita criatividade no prato até que ele se arrisque naquele alface ou naquele purê de abóbora!

5-Prato colorido, decorado de bichinho, louça do super-homem, copinho da Barbie… vale tudo! Não importa a idade do seu filho! Até adultos gostam de comer em um prato bonito! Quem não conhece uma pessoa que só gosta de beber em copo de vidro da borda fina? (eu sou assim kkk) Pois é, às vezes colocar aquele prato especial na mesa pode fazer a diferença! Use a criatividade sempre e lembre-se que um prato colorido enche os olhos de qualquer pessoa! Alguns autistas são muito fixados em organização e amam comer em pratos com divisórias (tipo prato de bandeijão)! Um autista não-verbal não saberá explicar que está incomodado com o arroz em cima do feijão e encostando na carne! Um prato com divisórias pode fazer verdadeiros milagres!

6-Use uma escova de dentes elétrica pra estimular a boca inteira! Isso inclui língua, parte interna das bochechas e dentes! Essa escova pode ser usada no momento de distração com o desenho animado, por exemplo. Massageie e estimule bastante essa boca!

7-A temperatura da comida pode ser um detalhe pouco explorado, mas pense que no autismo as percepções estão alteradas e o que está quente na medida pra você pode ser como brasa na boca do seu filho. Ofereça o mesmo alimento várias vezes em temperaturas diferentes e talvez chegue o dia que você tenha uma bela surpresa com algum alimento antes rejeitado! Alguns pais usam até mesmo um termômetro de cozinha para saber a temperatura ideal! Acredite, alguns autistas são experts em detectar a temperatura perfeita que eles gostam e só comem quando a comida chega no ponto ideal!

É isso, pessoal! Espero que alguma dica seja útil pra vocês! 👊🏻😉

 

Falha de comunicação entre os hemisférios cerebrais no autismo (Dr Melillo)

O que foi observado pelo Dr Melillo em pesquisa em relação ao cérebro dos autistas é que, em sua maioria, não há um dano neurológico presente. O que acontece são falhas na comunicação entre os dois hemisférios do cérebro. Uma das questões que despertou a curiosidade do doutor foi o fato que os autistas parecem ser muito bons e habilidosos em determinados aspectos ao mesmo tempo que apresentam dificuldades extremas para aprender ou executar atividades por vezes simples . Por exemplo, uma criança com autismo que tem ouvido absoluto para a música e aprende a tocar um instrumento sozinho, mas nunca aprendeu como conversar com um colega da mesma idade compartilhando os interesses de ambos. Essa falha na comunicação entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro seria responsável por problemas no desenvolvimento da linguagem verbal, por exemplo. O Dr Melillo defende a tese que a maioria das habilidades dos autistas está ligada ao lado esquerdo do cérebro. Já os déficits no desenvolvimento estão ligados ao lado direito. Segundo as pesquisas dele os dois lados não se comunicam bem, existe uma desarmonia. Um lado está menos ativo e menos conectado, o outro lado está muito ativo processando tudo num ritmo acelerado. Essa é a base do entendimento do Dr Melillo à partir das pesquisas dele e das observações que fez em seu próprio filho e nas crianças com quem o Instituto Brain Balance trabalha. A proposta do Brain Balance é orientar os pais a seguirem um protocolo nutricional adequado com foco em nutrir o cérebro, mas o carro-chefe do instituto são os métodos de terapia individualizada desenvolvidos com foco na neuroplasticidade. Tudo com objetivo de melhorar a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro para alavancar o desenvolvimento do autista.

Bom, ele teve tempo para poucas perguntas. Selecionei uma delas que creio ser uma questão recorrente para muitas famílias, o comportamento opositor. Uma mãe quis saber se isso seria um sintoma neurológico. Ele respondeu que devemos ter muito cuidado com esse rótulo em crianças menores porque o comportamento opositor faz parte de um estágio natural do desenvolvimento. Para ele a criança pode e deve ser desafiadora de regras e limites, mas somente até  a idade em que isso ocorre normalmente em toda criança. Se o comportamento desafiador e opositor não estiver compatível com a idade cronológica, então temos um problema a ser abordado. No autismo o cérebro pode estar maturando fora de tempo normal e isso significa que essa fase pode perdurar por mais tempo. Nesses casos ele defende que são necessárias abordagens comportamentais em conjunto com terapias que promovem essa harmonia cerebral para que haja melhora. Se o problema persiste numa criança já grandinha uma abordagem puramente comportamental pode não ter sucesso algum.

Agora vou colocar algumas breves observações. Infelizmente os livros dele ainda não foram traduzidos pro português. Eu acredito que os estudos do Dr Melillo revelam muita coisa sobre nossos filhos. Fiz uma ilustração em português retirada do site do instituto e sei que vocês vão identificar as maiores habilidades e dificuldades dos seus filhos vendo a figura. Mesmo que você nunca possa trazer seu filho para um dos institutos Brain Balance para que ele seja tratado conforme a abordagem deles propõe eu queria deixar aqui em destaque algumas dicas do que pode ser feito por pais e terapeutas para promover essa harmonia na comunicação entre os dois lados do cérebro. A lista abaixo não foi retirada desta palestra e sim do site dele. Ja fiz um programa semelhante aqui com minha filha. Fizemos exercícios semelhantes com uma profissional que treinou no Instituto e agregou tudo isso ao que ela já fazia.  Fizemos inclusive um programa integrado com quiropraxia. Em breve eu visitarei o instituto Brain Balance e, se permitirem que eu grave alguma coisa, mostro pra vocês. Vamos então aos exercícios propostos. Lembrem-se que a brincadeira e o “simples movimentar-se” são momentos terapêuticos independentemente da atividade, exercício ou esporte. Os exercícios abaixo são apenas sugestões e podem não ser possíveis para todas as crianças com autismo, mas podem ser adaptados! Um bom terapeuta ocupacional que faça integração sensorial, por exemplo, estará fazendo esse trabalho através de outros exercícios e técnicas. Então, vamos trabalhar com aquilo que temos acesso sempre, sem neuras! Semana que vem vou aplicar alguns exercícios desses aqui em casa e conto pra vocês! Como citei acima, alguns nós já fizemos antes!

Exercício aeróbico – polichinelo

Fazer 20 em sequencia seguidos de 5 minutos de descanso – total de 3 rodadas por vez. DESAFIO EXTRA – fazer de olhos fechados!

Exercício para sistema vestibular – Giros lentos

Sentar a criança numa cadeira tipo de escritório que seja giratória. Pedir que a criança abaixe a cabeça pra frente levemente. As pernas devem estar cruzadas em cima da cadeira. Tentar manter o corpo paradinho e os olhos fechados durante os movimentos. Gire a cadeira devagar de modo que leve quase um minuto inteiro pra chegar de volta no ponto de onde começou. Enquanto gira pedir para a criança apontar sempre para a direção para onde esta indo a cadeira. Quando a cadeira parar totalmente no mesmo ponto pergunte a criança (ainda de olhos fechados) se ela ainda sente como se estivesse girando. Se a resposta for sim espere ate que ela se sinta normal de novo. Se a criança estiver cooperativa fazer o mesmo mais uma vez girando na direção oposta.

Exercício de propriocepção – Superman

Deita a criança no chão com os braços para frente de barriga pra baixo. Os braços devem estar acima da cabeça. Pedir que a criança agarre uma das pernas com o braço do lado oposto e segurar nessa posição por 15 segundos.  DESAFIO: Erguer do chão braços e pernas e ficar apoioado apenas pelo abdomem no chão pelo máximo tempo que conseguir como um super-homem. O objetivo é segura as pernas assim por 60 segundos seguidos e cumprir pelo menos 3 rodadas.

Exercício tátil – percepção de números

Você vai precisar de um lápis com borracha na ponta! Senta a criança de olhos vendados e com as duas mãos com as palmas pra cima. Usando a borracha do lápis faça movimentos como se escrevesse um número de zero a 9 na palma da mão e pergunte em seguida que número era esse. DESAFIO: desenhe uma sequência de até 5 números e peça que a criança dite a sequência correta!

Divirtam-se!! 1D984B46-B470-44BE-97AC-0F5FE96EC99F