Essa semana conheci a mãe de uma criança de quase 3 anos que teve regressão no desenvolvimento e está claramente no espectro. Ela me procurou para desabafar, contar o que está vivendo e saber de mim o que eu nunca digo a ninguém, (embora, às vezes, esteja claro): se eu acho que o filho dela é autista.

Numa situação assim, comum em nosso “meio” de pais de autistas, procuro emprestar livros, indicar profissionais e principalmente imprimir urgência no meu discurso. Não espere diagnóstico, não se prenda a scores, apenas AJA LOGO! Se você está vendo atrasos, regressões no comportamento, sinais de alerta, não espere uma confirmação que pode vir com ares de sentença! Eu sempre digo: empodere-se! Não terceirize suas decisões!

Essa mãe com quem conversei encontra-se com seu filho em processo de “investigação” pelos terapeutas e médicos, naquela via crúcis das anamneses e exames de diferenciação. BERA pra ver se a criança escuta bem, eletroencefalograma para ver atividade cerebral, etc…
Está na fase da negação! (que precisamos respeitar e tratar com cuidado mesmo quando nossa opinião é requisitada)
O discurso: “Ficou assim quando a irmãzinha nasceu ano passado, ele não aceitou bem e agora quer ser um bebezinho de novo!”

Aí eu penso, mas não falo, apenas penso comigo: ele quer voltar a ser um bebê? Ok! Mas, o que tem isso a ver com girar objetos, não suportar vestir roupas ou sapatos, não atender ao chamado do próprio nome, perder toda a habilidade de comunicação verbal, etc…? Isso não se parece nada com uma criança imitando um bebê ou em busca de mais atenção dos pais! Voltar a fazer xixi na cama, dar birra pra tudo, provocar situações que chamem a atenção dos pais, aí tudo bem, pensa-se em ciúmes e mudança de comportamento ligada ao nascimento de um irmãozinho(a). Os sinais do autismo normalmente são mais contundentes e causam estranheza até mesmo para aquelas pessoas que não convivem tanto com criança quanto os pais.

Então os pais enxergam o que querem enxergar. Até aí tudo natural do início, a negação fala mais alto. Repito: é uma fase delicada e deve ser respeitada. Porém, o que não é natural e me parte o coração é saber que tem uma profissional na jogada ALIMENTANDO, e muito, esse pensamento! Confirmando para os pais que o nascimento da irmãzinha trouxe consigo TANTO TRAUMA para o garoto que ele “ficou assim”!!

Gente, por favor, ainda? Ainda tem profissional com esse tipo de raciocínio?

Isso me motivou a escrever esse post! Eu sei que ainda tem muita informação incorreta circulando por aí, mas cada vez que me deparo com um absurdo desses, o que já ocorreu dezenas de vezes, eu me sinto na obrigação de usar esse espaço para informar.

Parece absurdo de tão desnecessário que é dizer o que NÃO é uma causa para uma criança entrar no espectro, mas, quando se trata de autismo, eu acho que é melhor listar sim. Vai uma coletânea aqui do que já escutei de outras mães e o que eu mesma escutei em consultórios também!

NÃO CAUSA AUTISMO:

-Morte de qualquer pessoa ligada à criança;
-A babá foi embora ou trocou de babá;
-Separação dos pais;
-Os pais queriam um menino e veio uma menina ou vice-versa;
-Nascimento de irmãozinhos;
-Falta de amor ou atenção dos pais;
-Mudança de cidade, estado, país ou de planeta;

puzzle

Pais, empoderem-se! Leiam, pesquisem! Guardem suas energias para amar e lutar muito por esse filho, pois o amor deve preceder todas as ações e reações. E nós somos bons nisso! Somos os melhores! 🙂

Ainda essa semana vou compartilhar aqui no blog um pouco do caminho que fizemos e como eu entendo o processo de regressão da minha filha 6 anos depois de ter esbarrado na palavra AUTISMO na internet! Estamos fazendo o caminho de volta, ele é real e possível.

E se você que me lê está esperando um “culpado” e um “diagnóstico” para agir, saiba que nem um, nem outro, terão o poder de te trazer a sua criança de volta para aquele ritmo de desenvolvimento que ela vinha seguindo.

As peças estão diante de nós, espalhadas e confusas. Desejo a todos os pais forças para desbravar os caminhos! Não levem consigo o peso da culpa. Ela ocupa o lugar das armas mais importantes que precisamos empunhar!

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About Evellyn Diniz

Hoje eu sou super mãe! Me formando todos os dias nas áreas de saúde e educação. Mas antes de adquirir super poderes fui muitas coisas e ainda sou! Vendedora, professora de inglês, apresentadora de TV, editora de imagens, cantora de banda de rock e fiz faculdade de jornalismo... Atualmente sou mãe e esposa em tempo integral e cuido da casa nas horas vagas! Minhas 3 filhas são minha continuação e minha continuidade. A caçula chama-se Stella Bertille que significa estrela brilhante. Ela veio ao mundo para mudar o mundo para mim, ela veio ao mundo para brilhar! Stella está vencendo o AUTISMO. Este blog é por ela. Destina-se a ajudar pais e mães a entenderem que o PODER de fazer nossos filhos atingirem a plenitude pertence aos pais. Aqui compartilho videos, fotos, matérias, experiências e pensamentos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Coloque a sua capa e sua roupa de herói que os desafios aqui não são de faz-de-conta!

4 responses »

  1. Caroline Almeida diz:

    Sou terapeuta ocupacional e não posso dar o laudo, então tenho que encaminhar para neurologistas e a resposta são sempre que logo ele vai desenvolver, que a mãe pode ficar tranquila que é uma fase, pensa na minha angustia, meses para explicar para mãe o que o filho tem, e meia hora ou menos de consulta com o neurologista desconstrói todo trabalho realizado com a familia, e em quem eles acreditam? Claro que no médico né! Dificil!

  2. Sou mãe de um autista atípico, de 8 anos, idade mental 3 anos, tratado com respiridona a 6 meses, até antes era tratado como hiperativo com Ritalina. No começo do tratamento com remédio ele respondeu bem, ficando mais calmo, menos agressivo e colocando a sua vida em menos riscos, de 1 mês para cá está regredindo, a ponto da escola regular não saber mais o que faz com ele. Eu não coloquei ele na escola especial, pois achamos juntamente com a médica que ele vá regredir muito copiando as estereotipias dos casos mais severos. Há 2 dias ele começou a fazer xixi dormindo, não importa se faz xixi antes de dormir, segundo ele não percebe, e não sabe porque. É claro que meu filho não está resumido em 10 linhas, mas tenho observado sua regressão calada, e em uma reunião com a professora ela me disse que tem observado essa regressão, que ele pede colo pra dormir, e se comporta como se tivesse 3 anos, a fonética dele é de uma criança de 3 anos, troca o R pelo L como na descoberta. Enfim eu estou um tanto desolada porque achei que não tinha regresso iniciado o tratamento medicamentoso. O que você acha? Terapia? Psicológa?

    • É mesmo difícil apostar em uma dessas coisas apenas lendo poucas linhas sobre seu filho. Temos sempre que fazer uma varredura nas nossas condutas e ouvir as pessoas mais próximas (e o nosso coração) em busca de caminhos novos. Refaça seus passos e não tenha medo de mudar os rumos, pode não ser uma “regressão” propriamente dita, pode ser que algo não esteja certo nas condutas e seu filho esteja apenas comunicando isso da forma que sabe! Te desejo sorte! Bjs

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