Se alguém me dissesse no início deste ano que eu terminaria 2014 como uma “mãe de homeschool” eu ia dar risada! Eu ia dizer que a bola de cristal dessa pessoa provavelmente estava com o vírus cavalo de tróia, no mínimo! Hahaha…

Bem, eu tenho recebido muitas perguntas sobre o que nos levou a adotar esse sistema de educação domiciliar, se aconteceram desavenças com a escola, se a inclusão não deu certo, etc…

Primeiro eu preciso dizer que estou assustada com o número de pais que me escreveram contando as mais diversas situações escolares desagradáveis e que estão, por consequência dessas situações, considerando o homeschooling. Em segundo lugar, mas não menos importante, preciso dizer que acredito SIM no papel fundamental da escola na vida de qualquer criança, seja ela com necessidades especiais ou não.

Acontece que o sistema como um todo está estragado, roto, desatualizado. Minha visão de escola ideal é tão hippie que distancia-se do rumo da sociedade em anos luz, então não vale nem a pena eu começar a vomitar meu musical “HAIR” neste humilde texto! Pulemos essa parte!

Acontece que a vida me deu limões e eu resolvi fazer a limonada, porque essa carinha merece…

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Como eu já havia mencionado em post anterior a Stella fica sempre muito cansada ao final de cada semestre e faz questão de demonstrar sua insatisfação em ir para a escola. Ela só pensa nas férias e só fala nas férias…assim são os finais de semestre desde que ela começou, aos 2 anos, a frequentar uma escola. Na época, ainda não falava, mas demonstrava todo o seu descontentamento fazendo uso da “técnica” chamada: Dupla Sertaneja BERRO E BIRRA! 😀 Mesmo assim eu a levava para a escola, subia as escadas ou rampas com ela no colo, ficava uns minutos por lá e depois ia embora com o coração amassado.

Esse ano tivemos longas férias por causa da Copa Do Mundo de Futebol (mais conhecida como a Copa do Goooooool da Alemanha!), viajamos, fizemos tudo que ela mais gosta. A família voltou com as baterias recarregadas, mas ela não, ela não estava pronta para o retorno à escola.

Seguiram-se dias de stress intenso. Muito diálogo e recursos visuais, tentativa de mostrar todo o lado bom e toda a saudade que os coleguinhas estavam sentindo junto com a professora. Tirei fotos da escola decorada para as boas-vindas. Fiz promessas, contornei a situação da melhor forma que pude. Então, Stella começa a desenvolver um medo de sair de casa. Em casa ela está feliz, brinca, monta quebra-cabeças, escreve, lê, vai ao computador, corre, pula, faz e acontece, conversa pelos cotovelos! Falou em sair pra qualquer lugar, fecha-se e recusa-se. O refluxo se intensifica. Se falamos em escola ela quase vomita…a coisa ficou séria, muito séria. Nesse momento me dou conta de que a dimensão dessa recusa é tão grande que transcendeu a escola, não há como tirá-la de casa. Frustrante para nós, para ela angustiante, amargo como o que lhe volta na boca a cada minuto. Do estômago para o esôfago, do esôfago para a boca…o alimento se torna um inimigo da saúde. Não nutre, irrita.

Ouvi do meu marido a frase mais impactante: “Tem um sofrimento no choro dela que eu nunca ouvi antes. Quando ela diz que não quer ir à escola eu perco as forças, não vou mais insistir.”

Limões! Muitos limões no meu caminho!

Antes que alguém pense que houve maus tratos na escola ou qualquer humilhação, leia alguns posts anteriores, ou melhor, veja meu feed no Facebook e verá como ela é amada e querida na escola. Tenho total confiança na professora que a acompanhou, a conheço há dois anos, é simplesmente a mais amada professora de todos os autistas que já passaram por ela! No último dia que busquei Stella na escola ela estava bem. Digo bem, não ótima, porque eu sempre percebi que esse horário do pós-escola era seu horário mais hiperativo, mais desordenado em relação aos sentidos. Eu acho que a quantidade de informações sensoriais recebidas na escola causava um acúmulo excessivo de entradas que ela não filtrava bem e desaguava em agitação. Só isso rende outro post! 😉

Então, voltemos ao limões! Seguem dias de refluxo intenso. Atestado médico. Cobranças de todos os lados. Muitos amigos e familiares dando mil sugestões, sei que com as melhores intensões, mas como se eu não tivesse pensado em todas elas durante as noites mal dormidas…

Resolvi que não insistiria mais. Conversamos longamente, eu e ela. Mais eu do que ela, lógico! Me enchi de fé. Pedi meu socorro ao Pai. Perguntei a Ele pra quê tantos limões na minha fruteira. Vendo minha filha sofrer, a escola mandando até a professora aqui em casa (que, aliás, foi recebida com todo o carinho pela Passarinha!) e todos os olhares do universo voltados para mim com aquela pergunta de um atual quadro do Fantástico: “E ai? Vai fazer o quê?”

Vou fazer limonada! Sem coragem, mas com muita alegria! Alegria porque eu tenho mesmo dificuldade em demandar certas coisas. Quando eu me empodero para alguma coisa, pra fazer bem feito, eu sinto alegria! Quando o assunto é Stella então…eu demando à terceiros só o estritamente necessário e olhe lá! AVISO: Não me dêem conselhos sobre isso, ok? Eu conheço meu gado e quem engorda meu gado é meu olho! (eu tenho um medo danado de psicólogos lendo esse blog porque “pêlo em ovo” e “chifre em cabeça de cavalo” aqui tem de sobra!) 😀 Se tiver alguém dessa turma lendo isso aqui eu tenho a palavra mágica que vai fazê-los desaparecer do meu blog…lá vai o palavrão, a palavra de baixo calão, palavra non-grata dos divãs aveludados… BEHAVIORISMO Buuuuuu! Pronto! Sumiram! (kkkkkk, se eu não zoar, eu deixo de ser eu!)

Então…a limonada, gente! Foco…

Como é que é essa treta de educação domiciliar? Não tem glamour nenhum! Desculpe desapontar a todos!

Peguei os devidos atestados, conversei com a escola. Todos concordaram que chegamos a um limite nessa insistência! E quando o organismo começa a literalmente vomitar o NÃO QUERO, é passada a hora de mudar o rumo da prosa.

Matriculei em esportes, mudei todos os ambientes de convivência e ainda estamos nesse processo. No início foi difícil levá-la, pois sair de casa estava difícil ou impossível dependendo do dia. Nos esportes ela socializa e se exercita como qualquer outra criança. Eu acompanho, eu faço aquecimento junto, eu torço por ela! Estou retomando as aulas de música que considero OURO PURO! Temos uma professora formada que alterna a sala de aula comigo aqui em casa. Hoje estou assumindo a maior parte das horas na salinha e a papelaria e a livraria passaram a ser meu segundo supermercado!

Nada de terapia “um pra um” por agora! Fizemos isso por anos a fio e ela cansou. Obrigada, Stella, pois também cansei! Esportes, música e mamãe no comando do tratamento que é holístico, integrativo, homeopático, biomédico, futurista e lunático! Ufa! 😀  Corta material de cá, adapta material do livro de lá, afinal estamos seguindo os livros e o currículo do primeiro ano “normalmente” (eu tenho que dar uma risadinha ao ler essa palavra! “Normalmente”). Eu organizo e estruturo as atividades, temos quadro de rotina, temos hora do lanche, temos jogos! Utilizo todos os interesses dela e procuro despertar novos a cada dia.

Caímos mais 3 pontos no ATEC. Estamos no 23, eitchaaaaaaaaa! Aí tá certo! Quem não conhece o ATEC dá um Google! 😉

Por enquanto estamos acobertados por atestados. Precisamos dessa saúde emocional e física reestabelecidas! Precisamos de equilíbrio homeostático. Aliás, homeostase é minha palavra preferida do momento! 🙂

Ninguém pense que estou aflita com ela estudando em casa. Não estou. O aproveitamento dela tem sido expressivo e o progresso cognitivo também. Estamos bem na fita. Ela está feliz. 🙂 🙂

Eu tenho MUITAS outras centenas de coisas que eu gostaria de dizer sobre esse processo que estamos vivendo. Há detalhes nas entrelinhas deste texto sobre os quais eu gostaria de discorrer. Sei que existem milhares de pais de autistas no mesmo barco de insatisfação e desespero que eu naveguei há alguns meses atrás.

A recusa da minha filha em ir para a escola não pode ser atribuída à escola em si. Essa recusa, esse medo, essa rejeição estão além das quatro paredes do prédio escolar. O sistema começa a pecar no momento em que desconhece ou ignora os caminhos, etapas e acomodações necessárias à inclusão verdadeira.

O que temos é uma exclusão velada. Escreverei mais sobre isso em breve.

No momento, meu status é fazer limonada!

Seguem fotos das nossas doces tardes na educação domiciliar.

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About Evellyn Diniz

Hoje eu sou super mãe! Me formando todos os dias nas áreas de saúde e educação. Mas antes de adquirir super poderes fui muitas coisas e ainda sou! Vendedora, professora de inglês, apresentadora de TV, editora de imagens, cantora de banda de rock e fiz faculdade de jornalismo... Atualmente sou mãe e esposa em tempo integral e cuido da casa nas horas vagas! Minhas 3 filhas são minha continuação e minha continuidade. A caçula chama-se Stella Bertille que significa estrela brilhante. Ela veio ao mundo para mudar o mundo para mim, ela veio ao mundo para brilhar! Stella está vencendo o AUTISMO. Este blog é por ela. Destina-se a ajudar pais e mães a entenderem que o PODER de fazer nossos filhos atingirem a plenitude pertence aos pais. Aqui compartilho videos, fotos, matérias, experiências e pensamentos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Coloque a sua capa e sua roupa de herói que os desafios aqui não são de faz-de-conta!

14 responses »

  1. robson c Prychodco diz:

    Gostei muito da sensibilidade do texto. Gostaria de ler mais sobre o que você acha sobre o sistema educacional e como acontece a exclusão velada. Fé e força que vai dar tudo certo.

  2. Adorei o texto pois vc conversa com a gente escrevendo… me senti na sala da sua casa hahahaha! Bom, acho que vc está certissima de seguir seu coração de mãe… te juro que vi o Lu no lugar da Stela (Sabia que o Lu vai ter uma filha que se chamará Stela? ele tem a vida planejada até a velhice… acho que quando ele descobrir o excel ele monta uma planilha la): Lu detesta ir pra escola… de tes ta… Em semana se prova eu não reconheço o Lu… ele faz estereotipias (coisa que não fazia mais…), fica repetitivo, nervoso… e todo mundo fica nervoso em volta… decoreba, ameaças de professores, pressão… isso é a escola de hoje em dia! E não falo apenas sobre inclusão… falo de sistema educacional… falo de aluno típico chorando e tendo dor de barriga (duas coleguinhas do Lu que estudam com a gente pras provas e que são típicas), falo de escola que quer os melhores pra garantir seu nome nos melhors lugares do vestibular… falo de uma escola particular que faz mil e um projetos no contra turno, inclusive social mas que não dá tempo pro menino pensar em participar… incoerencia total!!! Bom, mas mudando a vibe (esse assunto me enfraquece) não acho que seu tratamento seja futurista… acho que ele seja um tratamento de um tempo em que não importava apenas o material e os resultados,., acho ele até antigo pra te falar uma verdade… nossos avós era sábios… (ou são sábios para os que ainda insistem em ficar nesse mundo louco… eu só tenho um com 92 anos… ele odeia microondas,ele gosta de cozinhar e caminha pra chuchu… coisa de gente sábia… ah, achamos – na verdade temos certeza mas como não temos diagnostico e vai que aqui tb tem uma patotinha de médico Deus que lê- que ele é asperger). Bom foco: Amei as fotos, estou a disposição pra inventar ideias se precisar pois eu adoro e ofereço isso pensando só em mim hahaha, tô felizona por vcs… enquanto não tenho coragem de ir em busca do homeschooling (que Lu amou só de escutar essa palavra e pediu), vou dando meu melhor com o que temos… Vendo muitas coisas tristes mas o que me fortalece é que estamos lenhando o mato… Lu é um guerreiro!

    Evelyn sou sua fã!!! Na torcida pra muitos e muitos avanços e feliz porque sei que vc nao valoriza só o intelecto… a escola perde e muito nesse aspecto!!! beijos!

  3. Angela Daniele Schaffka diz:

    Simplismente Amei!!!!! Evellyn vc ilumina nosso caminho com tua luz… Parabéns!!!

  4. Rosangela Poloni diz:

    Gostaria de expressar a imensa admiração pelos textos sinceros, reais e animadores. Obrigada por compartilhar suas experiências. Sinta-se elogiada e parabenizada, de coração!

  5. carlaferro diz:

    Obrigada por esse texto! Também adoro limonada e parece que você é boa nisso!

  6. Nilçeia Rolim diz:

    Sou fã de carteirinha da Stella e dessa Mamis que acompanha a viber da filha. Eu To com contra-turno por 2 hs em casa, e as evoluções são visíveis no quesito funcional. Para o próximo, devo repensar se vale a pena ficar,os 3 horas no trânsito para irmos à escola. Um beijo no core.

  7. Raquel diz:

    Oi, amei a postagem. Também tenho um filho com autismo, que também está no 1o ano.
    Estamos com sérias dificuldades na escola ou ele fica em sala e não faz quase nada ou vai para a sala de recursos e fica “isolado”…
    Desde o ano passado tenho feito muuuuuito reforço em casa.

  8. Renata diz:

    Olá, sou psicóloga e gostei muito do seu texto. Parabéns!!! Só não sou behaviorista. Beijos

  9. Adotamos no começo deste ano o homeschooling para nosso Isaac que tem epilepsia multifocal. Depois da maratona que foi o ano passado na turma de alfabetização, onde ele não tinha como acompanhar a turma, achamos que era hora de respirar e partir do que era importante para ele. Sempre no café-da-manhã, pus em prática tudo o que aprendi nesses 9 anos com as terapeutas, assim como você, com caderno, cola, quadro de velcro, e, claro, o estojo de lápis – ele curtiu muito. Nosso blog está desatualizado, mas está lá registrado o inicio do processo. Veja em eratzersdorf.blogspot.com

  10. É a nossa vida de montanha russa, de futuro incerto. Que não tem mais esse negócio de projeto a longo prazo, só de curtíssimo prazo mesmo! a melhor coisa do mundo é a Stella sinalizar, falar, dar a entender que está contente ( ou não) com isso, ou aquilo! avante Evellyn, estou torcendo por vcs !!!!

  11. Achei interessante este site que apoiam a Educação Domiciliar no Brasil, poderia divulgar.

    aned.org.br

    educarlegal.com.br

    http://www.peticaopublica.com.br/psign.aspx?pi=BR60220

  12. Ana Paula Anjos diz:

    Adorei seu texto.
    Através dele consigo expressar exatamente o que estou sentindo e passando com meu filho que está no 2 ano.
    Tenho pensado muito em fazer limonada, mas me sinto tão pouco criativa e nada capaz. Morro de medo de não dar conta e acabar por prejudicar mais do que ajudar.

    Vou seguindo a vida em busca de coragem, informação e suporte para executar o plano HS.

    Obrigada mesmo.
    Grande bj

  13. Mariele diz:

    Gostaria muito de fazer isso. Mas preciso trabalhar para manter o plano de saúde do Eduardo, pagar o aluguel, pôr comida na mesa, calçar e vestir nós tres e etc…
    Somos nós 3 e Deus nesta jornada. Cada vez que leio seus textos. PARABÉNS!!!

  14. Qual seria a opção para as mães que não podem deixar de trabalhar? Desesperador, não?

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