Sempre me pego pensando na introdução de suplementos e na interação entre eles. Penso no melhor horário de absorção, receptividade e aproveitamento do organismo de acordo com o perfil genético e biomarcadores.

Se eu fosse começar o tratamento biomédico hoje eu absolutamente evitaria complexos vitamínicos e introduziria cada coisa com intervalo de tempo suficiente para observar efeitos adversos e em seguida fazer os devidos ajustes. Eu disse efeitos adversos, pois os efeitos esperados, na maioria das vezes, dependem da continuidade e da associação com outros suplementos. 

Outra coisa que eu teria cautela seria ao introduzir suplementos em um intestino permeável, com muitas alergias importantes e/ou disbiose. Eu hoje não tenho certeza se tudo o que eu tanto insisti com a médica da Stella para introduzir, quando o ATEC dela era muito alto, fez o efeito esperado. Um intestino irritável com cenário inflamatório acentuado, podendo incluir refluxo, gastrite, esofagite não é um terreno muito amigável para receber certos suplementos. Alguns podem até ajudar, outros podem irritar mais a mucosa intestinal ou simplesmente não ter absorção apropriada porque a malha está aberta. Penso que corrigir a absorção dos nutrientes dos próprios alimentos e cicatrizar o que está inflamando seja de maior utilidade antes de suplementar algumas coisas. No autismo, qualquer “inflamaçãozinha” tem impacto sistêmico!

Ouvimos com freqüência que devemos experimentar um suplemento de cada vez e que pode-se aprová-lo ou pará-lo pra se tentar outra coisa “se você não vê-lo funcionando”! Muita calma nessa hora!

Acontece que nem tudo que está funcionando vai ser aparente logo de cara. E pode até não ser aparente por anos . SIM, anos!  Você precisa “arrumar a casa”, colocar outras coisas no lugar para que os suplementos trabalhem de forma mais eficaz. Não é nada fácil detectar o momento certo, o cenário ideal para receber cada novo “contribuinte” para a jornada, por isso precisamos de muito controle da nossa ansiedade, diálogo com o médico que orienta o tratamento e leitura/estudo. Isso é que torna o tratamento biomédico do autismo desafiador e complexo.  ÀS VEZES NÃO ENXERGAMOS AS COISAS MAIS SIMPLES QUE PRECISAM SER RESOLVIDAS PRIMEIRO E QUEREMOS RESULTADOS MÁGICOS EM TEMPO RÉCORDE! Eu sempre preciso me lembrar disso também! Algumas crianças obtém resultados a curto prazo, mas a MAIORIA está remando devagar e sempre, com o organismo sendo TREINADO para trabalhar certinho! 😉 Então, PACIÊNCIA E PERSEVERANÇA!

Preparei, baseando-me em pesquisas minhas e opinião de pessoas em quem confio, uma lista de dicas importantes para quem deseja caminhar com sanidade pela estrada nada simples do tratamento biomédico do autismo. Estou certa de que existem muitos pais e profissionais de saúde que poderiam acrescentar mais e mais dicas à minha humilde lista, então fiquem à vontade para comentar. Senti vontade de contribuir com o que aprendi até então! Eis a minha listinha:

Person with pills and capsules

1- CONHEÇA cada coisa que você está dando pro seu filho – É um suplemento “apenas”? É um suplemento de apoio para outro? É um suplemento complementar? (ou seja, sozinho ele não faz muito sentido se não tiver seu “parceiro” junto) É um tratamento bioidêntico? (ou seja, ele visa suprir algo que o corpo deveria, mas não produz de acordo?) Saber desses detalhes ajudará você a construir um raciocínio bem amarrado quanto ao tratamento que está sendo conduzido.

2- Sim, um suplemento por vez e vamos mantê-lo em nosso “programa” se faz sentido estar no nosso programa, ou seja, é uma abordagem em camadas e personalizada para a construção de resultados baseada no próprio perfil médico do seu filho. Nunca adicionar um suplemento só porque alguém fez e deu certo pro filho dessa pessoa. Adicione algo porque faz sentido para o seu filho.

3- Não pare um suplemento só porque “não vejo nada acontecendo”. Pesquise por quê ele está sendo dado. Ele pode estar trabalhando em conjunto com outra coisa ou preparando o corpo para um grande resultado quando a próxima etapa se iniciar. Você não pode ficar interrompendo a seqüência do tratamento e esperar que todo o corpo ainda responda corretamente.

4- Muitas vezes é o esquema inteiro ao longo do tempo que nos dá o maior apoio e permite maiores ganhos quando associamos na hora certa uma quelação, um repertório homeopático, HBOT ou outra ação qualquer que, paralelamente ao tratamento biomédico, fará grande diferença com a continuidade.

5- O autismo é multi-fatorial. Isso significa que temos muitas lacunas a serem preenchidas (genética) e muitos prejuízos a serem abordados para correção (impactos ambientais). Muitos suplementos têm a função de preencher uma lacuna e ligá-la a outra lacuna que precisa ser preenchida logo em seguida. Pense num tratamento que obedece fases e acontece em camadas.

6- Algumas coisas são feitas para serem passageiras no tratamento, por exemplo, o protocolo antifúngico (que pode ter que ser repetido, mas não espera-se que seja contínuo), essas são as exceções. Algumas suplementações começam com dosagens mais altas e depois usa-se uma dose de manutenção (probióticos, por exemplo) e outras coisas você terá que manter a vida toda, talvez em doses de correção para suprir uma carência do organismo que está devidamente registrada no perfil genético do seu filho.

7- Considere fatores como melhor horário para dar determinado suplemento (de acordo com a resposta da criança), interação entre suplementos (por exemplo, suplementos que competem por absorção entre si) e componentes que estão associados na mesma cápsula (por exemplo GABA que vem com B6, Theanina que vem com inositol)

8- Lembrem-se, pesquisar com bom senso é fundamental! Não esqueçam que vivemos num turbilhão de informações que nem sempre conseguimos interligar. Às vezes a gente compra um ideia, mas não entende porque comprou! Mais uma vez, isso vale para a pessoa que vos escreve!!! 🙂

9- Penso que pais envolvidos e bem informados em conjunto com médico e nutricionista bem formados nessa abordagem e informados (porque tem “novidades” todo dia e precisamos saber filtrar!), normalmente resulta em bons resultados a curto, médio e longo prazo. Mesmo aquelas crianças que melhoram significativamente a curto prazo têm uma estrada à percorrer para chegarem a um ponto estável. Meu sonho é chegar bem aí, no que eu chamo de “ponto de manutenção”! 🙂 E olha que já estamos nesse barco há quase 5 anos! 

10- Sempre respeitar o perfil genético/biomédico individual (faça exames!), com muito feeling e sensibilidade para entender reações adversas e abordá-las da forma mais respeitosa com a pessoa que está sendo tratada. Nunca quero me esquecer que estou “mexendo” com a saúde da minha filha! Como diz uma amiga e irmã do coração – suplemento é “remédio”, é tratamento, não é balinha!

Posso dizer de experiência que o que mais nos ajudou a sair de um ATEC maior que 100, inicialmente para 86, depois caindo para a casa dos 60, 50 e agora oscilando entre 25 e 26, foi mesmo a dieta correta para a minha filha, a eliminação dos agressores externos, ações para diminuir a carga tóxica, a homeopatia, tratar comorbidades e só depois a suplementação. O tratamento biomédico não se resume à suplementar, é um estilo de vida e um novo entendimento do tratamento holístico da pessoa com autismo.

É isso, espero ter ajudado a alguém. Boa caminhada a todos com a mais lúcida ousadia que esse tratamento exige da gente!

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About Evellyn Diniz

Hoje eu sou super mãe! Me formando todos os dias nas áreas de saúde e educação. Mas antes de adquirir super poderes fui muitas coisas e ainda sou! Vendedora, professora de inglês, apresentadora de TV, editora de imagens, cantora de banda de rock e fiz faculdade de jornalismo... Atualmente sou mãe e esposa em tempo integral e cuido da casa nas horas vagas! Minhas 3 filhas são minha continuação e minha continuidade. A caçula chama-se Stella Bertille que significa estrela brilhante. Ela veio ao mundo para mudar o mundo para mim, ela veio ao mundo para brilhar! Stella está vencendo o AUTISMO. Este blog é por ela. Destina-se a ajudar pais e mães a entenderem que o PODER de fazer nossos filhos atingirem a plenitude pertence aos pais. Aqui compartilho videos, fotos, matérias, experiências e pensamentos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Coloque a sua capa e sua roupa de herói que os desafios aqui não são de faz-de-conta!

9 responses »

  1. Nilceia diz:

    Sempre muito esclarecedor. Realmente, temos que ter uma antena bem sintonizada pra perceber cada pequeno efeito, exercer muita paciência e ter horas de leitura. Obrigada por partilhar suas experiências.

  2. Marilza diz:

    Mto útil ,sabemos que não essa percepção não ê fácil, mas entre erros e acertos agente vai evoluindo.Amei tudo!!

  3. Catia Oliveira diz:

    Oi,Evellyn Diniz

    Não sou boa nas palavras como vc,mas confesso que adorei ,amei… e me atordoei com o seu texto. Dei o primeiro passo para o tratamento biomedico e estou aflita ,confusa,ansiosa e insegura.Fui a uma medica aqui em Salvador e estou esperando os proximos passos(exames,suplementos ,dieta…) Confesso que a dieta e alguns detalhes de como fazer é o que esta me deixando atordoada .Gostaria de contar com sua ajuda pois vi que voce tb se liga nos detalhes (melhor hora de tomar medicação, pq ta tomar… e as vezes a gente não acha essas informaçoes de forma clara )Gostaria neste meu inico de jornada contar com voce!
    A só esqueci de me apresentar :sou Catia mãe de Bianca uma moça com 17 anos, super alegre e cantora.Bianca tambem tem hidrocefalia e mielomeningoleces.
    bjs

  4. Evellyn, sou do interior da Bahia e esse post foi importantíssimo.
    Precisamos difundir o Tratamento Biomedico.
    Já sou super herói….
    Estou integralmente à disposição do meu filho.
    Lembrando que ainda temos mais duas filhas!!!
    Todos os dias falo pra ele que não irei desistir dele e, juntos iremos chegar em terra firme!

  5. cidinha diz:

    Evellyn, estou muito confusa a respeito de tratamento meu filho tem autismo e sindrome de dwn nao tenho condiçoes de fazer o tratamento completo DAn vc acha que se fizer dentro de minhas possibilidades pode dar resultado? ou fazer so a homeopatia vai ajudar? meu menino tem 10 anos o ATEc deu 101 . to triste
    aguardo sua resposta

    • Sim, eu acho que todos devem fazer o que podem, dentro de suas possibilidades financeiras. Só a “limpeza” na alimentação já faz grande efeito! O objetivo deve ser sempre vencer as comorbidades e dar melhor qualidade de vida a essas crianças.

  6. Q esclarecedor!! mt bom!! Estou entendendo só agora sobre as vitaminas!! Ñ tive sorte em encontrar médicos q me ajudem,tenho q brigar mt!! Mas estou chegando lá,Graças a Deus!! Foi a curiosidade q me fez saber do t.biomédico…pq ele toma anti alérgico e ñ fazia efeito(ácaros)e prissão de ventre,pesquisei alimentos pras duas aréas!! Ai achei vc e a sua estrela!!! Feliz,achei pessoas q me entendem finalmente!!! as vzs achava q eu vivia em um mundo paralelo!! Luto pelo meu filho msm!! Mt obrigado,mt bom seu post,me ajudou,meu filho já tomava comp.b,brigando com a pediatra,pq ela achava besteira ele tomar…..difícil né….procurando médicos q entendam os autistas!!!!

  7. NEILA MIRTES GUEDES VIANA MONTENEGRO diz:

    Bom dia Evellyn,
    Sou mãe do Victor, de 2 anos e 10 meses. Ele foi diagnosticado em dezembro, e desde então começamos a dieta sem glúten, caseína, soja e milho. Por favor, você pode me indicar laboratórios que fazem o exame de metais pesados pelo cabelo? Moro em Minas Gerais.
    Obrigada,

    Neila Montenegro

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