Se você pensou em inclusão, acertou! Assunto delicado, educação especial.

escola perfeita

Primeiro, preciso dizer que acredito que TODA a educação deveria ser especial! As demandas individuais deveriam ser mais respeitadas porque todo mundo tem algo de bom e único a oferecer, e que, normalmente, a escola consegue podar ou até mesmo enterrar por tempo indeterminado ou para sempre!

Preciso dizer que sempre fui um aluna meio “revoltada” sem saber que o era! Desde muito pequena odiava as decorebas e, quando não sabia o que responder, eu usava a esperteza. Assim foi um dia quando a pergunta da prova era: quem rezou a primeira missa no Brasil? (clássica essa, né!) Bom, eu não tinha decorado o nome do cara. Respondi: só sei que foi um padre! Eu tinha uns 7 anos!

Faz tempo, muito tempo, que a educação está capenga, limitante e carente de sair da mesmice. Não tenho dúvidas que mudanças sensíveis poderiam trazer efeitos revolucionários no futuro dos nossos filhos e do nosso país.

É um tal de escola particular fazendo propagandas mirabolantes, chiques, cheias de engodo e prometendo explosões de genialidade e criatividade nas crianças…não rola! É tudo mentira. Quando as aulas começam é o mesmo B-a-Ba de 30 anos atrás, salve algumas poucas exceções!

Quando o assunto é educação de crianças especiais aí a coisa fica ainda mais limitante e grave. A limitação não é do aluno, é do sistema! Fato. Todos os dias tem mensagens no inbox do meu Facebook com histórias de mães, lamentando, protestando, chorando, pedindo uma luz.

Não sou nenhuma especialista em educação especial, mas talvez por fazer parte da diretoria de um movimento que luta pelos direitos dos autistas e de ter sempre brigado por um ensino melhor para eles, as pessoas acabam me perguntando o que fiz ou o que eu faria. Algumas mães querem desabafar, outras querem uma dica, uma informação ou até uma palavra de consolo.

Essa semana foram 3 situações que até aqui chegaram no inbox do meu perfil no Face. Cada uma mais absurda que a outra! Temos uma Lei, a 12.764/2012 que vai completar dois anos de descaso, amargamos a morosidade quanto à sua regulamentação. Muitas crianças fora da escola, muitas dentro, porém fora no que diz repeito à inclusão. Muitas indo pra escola apenas para serem seguidas pelos corredores por um monitor que “olha a criança” até bater o sinal.

Cada dia eu penso mais e mais em ganhar na mega sena (risos!)… construir espaços, que não sei de quê chamaria. Clínica-escola? Escola Especial? Ainda não achei o termo. Mas o nome seria Espaço Estrelas Brilhantes! Pra homenagear minha filha cujo nome significa: Estrela Brilhante (Stella Bertille).

Espaços com as devidas acomodações sensoriais. Espaços de respeito, compreensão e tranquilidade que recebam poucas crianças, um conceito de bairro para que o deslocamento seja tranquilo. Marcenaria, dança, esportes, robótica, música… Uma horta, biblioteca, bichos, parquinho. Um lugar onde se respeita o “como você consegue aprender” e “o que você pode nos ensinar”! Terapias multidisciplinares no mesmo local! É a sonhada diminuição da carga horária da “mãetorista”! (eu sei que você, pai ou mãe, está aí suspirando nesse momento)

Eu creio que a escolha deve ser sempre dos pais. Os pais sabem o que é melhor para seus filhos. E eu creio que todos nós sabemos que estamos criando esses meninos e meninas para a independência, para a autonomia, para o mundo…NA MEDIDA DO POSSÍVEL PARA CADA UM! Sim, A MEDIDA são eles que dão e o que não podemos dar a eles é UM LIMITE!

Acredito que, em algum nível, estamos todos insatisfeitos com a educação ofertada aos nossos filhos, tanto aos de desenvolvimento típico ou aos ditos “especiais”. Acredito também que não estamos de braços cruzados. Vejo a luta diária, dos pais de autistas…dando palestras, levando material pra a escola, ensinando a ensinar. Não é fácil, nos tira a oportunidade de trabalhar e melhorar nossa renda familiar na maioria das vezes.

Meu louvor aos raros profissionais que tem um toque especial. Como é raro aquele professor que capta o timing do aluno autista, que sabe até onde exigir, até onde puxar. Raros são aqueles que têm feeling, que não enxergam a limitação do aluno e sim a própria limitação em talvez não conseguir alcançar aquela inteligência peculiar. Poucos são os educadores que se dedicam à fazer essa “leitura” do aluno especial.

É sempre exigido dos nossos filhos que saiam de sua zona de conforto. O sistema, por sua vez, não quer sair de sua zona de mesmice por um minuto sequer. E aí nossos filhos vivem como estrangeiros em terra distante, onde não falam o idioma local, onde não se adaptam à cultura e aos costumes e, por isto, permanecem ali, sub-utilizados, sub-reconhecidos, à margem. Estrelas brilhantes que, ofuscadas, precisam encontrar uma maneira de mostrar seu brilho. E não, não estou querendo trazer um discurso “coitadista”, destesto isso. Quero trazer um discurso realista. Como mãe de uma criança com autismo, EU SEI que esses meninos e meninas têm um potencial enorme, porém, muito mal abordado, à começar pela atenção que se dispensa às questões de saúde que são ignoradas ou mal tratadas. (e esse é um outro assunto longo!)

Por aqui estamos fazendo o caminho inverso, amigos. Saindo da inclusão (escola da rede pública do DF) em uma salinha com número reduzido de alunos para uma salinha em casa, homeschooling! Pois é, estou no olho desse furacão e terei, em breve, muita coisa para contar aqui no blog! Uma situação que, inicialmente, me tirou o chão, mas que agora enxergo como um novo rumo e oportunidade de enxergar novos horizontes.

E, olha, se aguém que me lê aqui tiver essa grana pra construir esse lindo ESPAÇO, não se acanhe não, viu! 🙂 Eis-me aqui com mil ideias e sonhos que não podem esperar pela Mega Sena e nem pelo completo descaso do Estado!

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About Evellyn Diniz

Hoje eu sou super mãe! Me formando todos os dias nas áreas de saúde e educação. Mas antes de adquirir super poderes fui muitas coisas e ainda sou! Vendedora, professora de inglês, apresentadora de TV, editora de imagens, cantora de banda de rock e fiz faculdade de jornalismo... Atualmente sou mãe e esposa em tempo integral e cuido da casa nas horas vagas! Minhas 3 filhas são minha continuação e minha continuidade. A caçula chama-se Stella Bertille que significa estrela brilhante. Ela veio ao mundo para mudar o mundo para mim, ela veio ao mundo para brilhar! Stella está vencendo o AUTISMO. Este blog é por ela. Destina-se a ajudar pais e mães a entenderem que o PODER de fazer nossos filhos atingirem a plenitude pertence aos pais. Aqui compartilho videos, fotos, matérias, experiências e pensamentos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Coloque a sua capa e sua roupa de herói que os desafios aqui não são de faz-de-conta!

7 responses »

  1. Catia Luzia Feitoza Moreira de Jesus diz:

    Adoro seus textos, são de longe, os mais ponderados e sensatos sobre autismo.
    Concordo com vc, a educação tá o Ó! No meu caso, tenho pontos críticos tanto com meu filho autista qto com meu filho neurotípico, é 1 mesmice, 1 decoreba, 1 padronização sem fim…
    Optei pelo homeschooling há alguns anos, inicialmente exclusivo e hj em dia complementado pela inclusão. Não há coisa melhor! É cansativo, mas ninguém tem dedicação como a família.
    Sonho com o dia em que a realidade seja outra, mas, por enquanto, suprir o papel da escola formal em alguns aspectos tem sido a opção mais adequada.
    Desejo muito sucesso a vcs! HS é uma aventura e vcs só terão a ganhar. bjs mil.

  2. Sempre te admirei e acho que você está no caminho certo! Sempre tive essa vontade mas nunca tiver coragem nem de cogitar já que o Lu não é meu filho, rs A inclusão escolar não acontece não é por despreparo e nem por falta de verba, de profissionais,etc… é pelo sistema educacional, que não acolhe ninguém mesmo… nem os típicos. Meus desejos são os melhores pra vc (sempre foram) e Stella (adoro esse nome e Lu disse que vai ser o nome da filha dele quando ele tiver uma). Já leu o brilhante? Recomendo demais… vc vai amar! Se precisar de mim, to aqui tá? Quando quiser trocar umas ideias de atividades (eu tô me oferecendo por egoísmo hahaha pois eu adoraria trocar ideias de vez em quando pois estou in love com a pedagogia… e fazendo pedagogia curativa – antroposofia). Adorei a novidade!!!

  3. Nilceia diz:

    To nessa fase tbem Evellyn..em 4 meses, ja vejo bons progressos. Comecei com2 hs, mantendo a escola especial..agora vamos pra 3 horas e proximo ano 4 horas. Se for possivel, colocamos mais 1 ou 2 . Vamos ver. Beijos e sucesso na sua iniciativa.

  4. Maria Reis diz:

    Muito Legal compartilhar temos que melhorar muito,é uma luta realmente principalmente pela falta de conhecimento e despreparo como vc falou: raros são aqueles que têm feeling, que não enxergam a limitação do aluno e sim a própria limitação em talvez não conseguir alcançar aquela inteligência peculiar. Poucos são os educadores que se dedicam à fazer essa “leitura” do aluno especial. É possivel temos que acreditar.

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