Lá vem o dia das mães denovo! Nesse dia eu nunca penso quais presentes gostaria de ganhar ou em que restaurantes gostaria de almoçar. Eu penso na mãe que eu sou. Que tipo de mãe. Se sou primeira divisão, se sou da segundona! Se existir rebaixamento nessa “categoria” acho que já passei por ele várias vezes! 🙂

Eu penso nesse negócio que as pessoas que NÃO são mães vivem falando… que “ser mãe é a profissão mais nobre e difícil do universo” e todo o mimimi de quem quer nos agradar achando que SABE o que a gente passa. Eles não pensam isso não, isso é papo furado! Só quem vive a “lida hard core” de ser mãe na realidade é quem sabe! Aliás, quem é mãe sabe que é mais difícil pelo que se passa dentro da gente do que pelo que se passa do lado de fora. Quando se é mãe a cabeça é um pedaço do teu corpo que nunca descança, nunca relaxa. Cabeça de mãe consegue posicionar os filhos em três tempos diferentes num mesmo “balãozinho de pensamento”: passado, presente e futuro. E a gente se sente responsável por cada segundo que se foi, que é e que virá.

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Aí, tá…você não é “só” mãe. Você é “mãe de especial”, como nos chamam. Aí, veja bem, você passa a ser “a mãezinha”. A mãezinha sobre a qual vou discorrer agora…

Não importa muito o que a gente se auto-denomine. Todo mundo ri e todo mundo chora, isso é fato. Tem uma frase muito dita por profissionais e pais que convivem com as deficiências: “fulana foi do luto à luta”. Isso é verdade mesmo. Isso acontece mesmo. Tem um tempo pra a gente chorar frente ao abismo da notícia e entregar-se a um desespero leigo e mastigador da alma. Mas depois tem uma força estranha que ordena que você se dispa das lágrimas, apare as arestas da dor e prossiga rumo ao desconhecido.

Aí nasce a mãezinha…

A mãezinha irá percorrerá consultórios e ouvirá os “especialistas” com reverência e tremor na voz. Ela fará anamneses e anotará sites importantes para ler depois. Ela buscará avaliações e scores que desconhece a utilidade. Ela chorará dias intermináveis de interrogações à procura do filho que, no nosso caso, o autismo “levou”.

Ela será chamada de mãezinha sem perceber… nos consultórios, na escola, no hospital, na clínica. “Olha, mãezinha…”, “Veja bem, mãezinha…”.

A mãezinha é cabisbaixa e passiva. Ela sempre diz assim: “Ah, é? Então tá!”

Eu já fui mãezinha. Eu já respondi à uma pergunta da TO da forma mais genuinamente leiga e legítima. Ela quis saber: “o que você quer pra a sua filha com esse tratamento?” E eu respondi de imediato: “quero que ela me chame de mamãe”.

Sério? Ora, se isso não é coisa de mãezinha! Como assim? Eu deveria estar focada em obter resultados na brincadeira imaginativa, na coordenação motora fina, na coordenação olho-mão, na hipersensibilidade auditiva! Afinal, minha filha tinha todos esses “atrasos” naquele momento. Mas eu, agindo de acordo com o manual da boa mãezinha que era, só queria que a menina ainda não-verbal me chamasse pelo meu nome de guerra: mamãe!

Ah, como eu precisei ser mãezinha! Precisei ser assim para caminhar as primeiras rotas sem ver os riscos. Precisei da minha ingenuidade para traçar todas as metas mirabolantes para a minha filha atingir. Muitas das quais ela já alcançou. Graças a Deus por isso! “Sem saber que era impossível, foi lá e fez”, essa frase define a mãezinha! Ela ama tão somente!

Agora chega de “inha”! Eu poderia ficar falando dela o dia todo aqui. Mas, creio que o leitor já entendeu como ela é. Sua dor é recente. Sua cabeça está no futuro distante do filho. Ela é chorona e babona. Ela milita no desespero.

Cinco anos após o diagnóstico da minha filha não dá mais pra florear com essa mãe aqui! As águas que passaram em baixo dessa ponte foram muitas, ora belas, ora feras…águas que levam a mãezinha embora com requintes de crueldade!

Eu sei que deixei uma lacuna nesse texto. O que aconteceu no espaço de cinco anos que transformou a mãezinha numa “mãezona”? Cada uma de nós tem uma história longa e muito pessoal que preenche esse espaço. Cada uma tem mais ou menos anos nesse espaço!

A mãezinha por vezes revisita a mãezona. Ela quer dizer que ainda vive na sua mania de ter esperança. 

A mãezona simplesmente não é marionete. Ela já está fazendo vestibular pra macaca velha! Ela é a rainha do sorriso de canto de boca! Esse negócio de coitadinha não a alimenta mais. 

Eu aprendi uma coisa valiosa nessa transição, senhoras e senhores. Aprendi a enxergar minha filha mais nova como ela é: diferente! Aprendi a me aliar ao tempo e a enxergar o progresso dela nas mínimas coisas do dia-a-dia. A palavra autismo ganhou novas definições que eu brinco de desconstruir a cada novo passo que Stella dá rumo ao imprevisível. Ela retorce os conceitos, desgoverna os gráficos, arromba as janelas de desenvolvimento que supostamente estavam fechadas. Ela reescreve tudo que aprendi dia após dia. Ela me torna mãe com H! Ela me obriga a crescer e a desprezar as infantilidades da antiga mãezinha.

A verdade é que sendo mãe de 3 meninas eu ainda encontro tempo pra ME revisitar às vezes. Deixo a vida correr frouxa, deixo mesmo. Hoje começamos a fazer um foguete de papelão e a minha Giulia teve que me lembrar: “mãe, ainda não jantamos, estamos com fome!” Quase 21h e eu envolvida no projeto-foguete e nada de dar comida às passarinhas!! Essa mãe sou eu!

…é que eu não tenho vocação para mãezinha, nem pra mãezona! Eu sou só eu, sendo mãe… com muita honestidade e principalmente com o amor incondicional que tenho por essas 3 maluquinhas! Uma escoteira, uma desenhista e uma cozinheira!

Não abro mão de me divertir com essa jornada louca.

Jamais permitirei diminutivos em tom de “pobrezinha, tão fraquinha”! Tão pouco suspirarei por elogios de saco sem fundo, vindos de quem nunca pôs ninguém no mundo!

Feliz todo dia pra nós! 

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Projeto foguete de papelão! Um oferecimento de: mãe-mundo-da-lua…aquela que esquece que já passou da hora do jantar! 🙂Imagem

 

 

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About Evellyn Diniz

Hoje eu sou super mãe! Me formando todos os dias nas áreas de saúde e educação. Mas antes de adquirir super poderes fui muitas coisas e ainda sou! Vendedora, professora de inglês, apresentadora de TV, editora de imagens, cantora de banda de rock e fiz faculdade de jornalismo... Atualmente sou mãe e esposa em tempo integral e cuido da casa nas horas vagas! Minhas 3 filhas são minha continuação e minha continuidade. A caçula chama-se Stella Bertille que significa estrela brilhante. Ela veio ao mundo para mudar o mundo para mim, ela veio ao mundo para brilhar! Stella está vencendo o AUTISMO. Este blog é por ela. Destina-se a ajudar pais e mães a entenderem que o PODER de fazer nossos filhos atingirem a plenitude pertence aos pais. Aqui compartilho videos, fotos, matérias, experiências e pensamentos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Coloque a sua capa e sua roupa de herói que os desafios aqui não são de faz-de-conta!

10 responses »

  1. vera Lucia Nunes de Morais Ribeiro diz:

    ACHEI SEU TEXTO MUITO LINDO, MUIOT VERDADEIRO. GOSTARIA QUE VOCÊ PUDESSE MANDÁ-LOS A MUITAS OUTRAS MÃES QUE TAMBÉM LUTAM COM SEUS FILHOS PARA GANHAR DO AUTISMO. TRABALHO COM ELES HÁ OITO ANOS E SEMPRE ME SURPREENDO, SÃO TODOS DIFERENTES E TODOS ADORÁVEIS. BEIJOS. CONTINUE SUA BATALHA E TENHA MUITO SUCESSO.

  2. vitoria amabile bortolatto muotri diz:

    Excelente, parabens doce fera. Um otimo dia pra todas nos.Beijos

    Em 5 de maio de 2014 02:24, poder dos pais

  3. Elaine diz:

    Emocionante, Evellyn.. é tudo que sinto com meu filho… Adoro ler em palavras nossos sentimentos, parabéns a todas nós!

  4. Amanda diz:

    Meus filhos não tem autismo, mas são tão especiais quanto a estrela que brilha! Também penso assim como você, vamos vivendo um dia de cada vez, comemorando uma vitória com alegria de cada vez! Sucesso!

  5. Suas palavras dao animo aquem tambem nao quer ser mais essa maezinha. Parabens

  6. Um texto para as mãezonas de 2014. Seguir em frente sempre! O mundo gira gira gira, nós balança mais num cai! Oche!!! Nóis capota mais um breca!! heim!!! Adorei viu Ewellyn, muito bom o texto. \o/ \o/

  7. Michelle Freitas diz:

    Admirável……………………………………….

  8. Adriana diz:

    Eu sou mãe …mãe de muitas perguntas ….e a resposta vem devagarinho e da minha filha que aprende comigo e me ensina muito mais….seu texto foi lindo de ler …resposta para minha ignorância que tive o privilégio de ter minhas dúvidas sem ter necessidade …uma menia que nasceu perfeita …mas o que seria perfeição …se a gente nem sabe o que significa este roteiro ….ser mãe e assim …dúvidas e mais dúvidas …minha filha e de uma geração muito melhor que a minha que respeita a diferença ela não critica nem pergunta sobre o amigo ou amiga especial…aliás nem sabe o porque desta palavra …a amiga e amiga e pronto…com carinho para as mães que tem filhos com necessidades um pouco diferente …mas nem por isto merecem piedade …e sim aplausos e alto e bom som……..Bj

  9. Anónimo diz:

    Sou marcia tambem mas o meu pedro ainda e um desafio para medicina nao tenho o nome da sindrome dele ja fiz tudo e de um tudo ate mesmo nos exames espero resposta tenho certeza que nuca vou ter agora fico so recebendo carta da usp falado que nao e tal sindrome eu so queria saber quem ele e na ultima consulta a medica falou que pode ser o autismo hoje nao fico mais atras de saber na minha opiniao ele tem uma mistura de tudo e eu vire a medica dele sou tudo pra ele eu ja sabia que eleera diferente des quando tava na minha barriga os familiares da parte do pai dele falava que era coisa da minha cabeca ate hj ver o problema mas iguinara pq jamais ele tera parentes com defeito so chorei uma noite inteira fiquei sem dormir tive esperanca dos familiaries me ajudar eles ficavam dando brinquedos educativos achando que isso resolveria cortei relacoes hj voltei trabalhar e procuro me diverte com o bebesao que tenho hj ele tem 15 anos uma inocensia e ao mesmo tempo tem seus ponicos e falo dele por onde eu passo assim eu faco ele exister na sociedade e ja encontrei muitas maes que esconde seus filhos acho que devemos falar e incomodar a sociedade assim eles se faz presente e ajuda as maes que acha que esta sozinha e vc nao esta dozinha olha eu aqui eu meu nome e Aleksandra e meu filho paolo bjs a todas as maes

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