“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará…a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo…”

Agora que eu já fiz vocês cantarem mentalmente essa música, vamos ao texto, sempre lembrando do que diz essa letra, tá?!

Essa semana a Stella me deu algumas alegrias inéditas! Por exemplo, ela machucou a irmã acidentalmente em uma brincadeira e então a Giulia se pôs a chorar: “mãe, olha só o que a Stella fez comigo!” Enquanto eu explicava para a Stella que não pode brincar assim ela olha fixamente o rosto da irmã em prantos e, de forma expontânea e muito expressiva (de dó!), diz: “Me desculpe, Giulia!” 🙂 E, é claro, como a maioria das irmãs, a Giulia diz: nãaaaaao, desculpo não! E eu achando tudo lindo: “Giulia, desculpa ela, filha, vai, vaaaai, ela pediu tão certinho!” (risos!) 

Também essa semana me peguei de boca aberta junto com meu marido quando escutamos um barulhão e perguntei: “Que foi isso, Stella?” E ela, na cara dura: “naaaaaada!” Oh, my God! Gente, uma palavrinha fácil que ela já fala há tanto tempo, mas o contexto em que foi falada aqui foi a grande surpresa! Olha só quem está tentando se livrar de situações comprometedoras com a desculpa menos elaborada e mais comum de todas as crianças do planeta! Não foi nada! Hehehe!

Então, a maré mansa é essa. A fala está explodindo em contextos jamais experimentados, as frases são longas (“Papai, você tem certeza que hoje tem festa na escola?”), as palavras estão sendo usadas em tom mais expressivo e surgiram as primeiras perguntas bem elaboradas, embora aqui e alí ela engole uma preposição ou artigo. Algumas frases são bem de desenho animado, aquelas frases feitas que toda criança adora,”essa foi por pouco”, por exemplo, porém todas são ditas em contexto correto. Algumas outras frases ela parece picotar um pedaço de uma frase de um personagem e colar um final de frase original dentro da ocasião naquele momento. Ou seja, tudo indo bem pra quem não falava até os cinco anos! E daí se ela pega emprestado as frases de desenhos animados? Não ligo! Já cantava com toda a razão Renato Russo: “sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?” Né?

Mas, como o mar é assim, ora calmo, ora agitado…(cante a música na sua cabeça outra vez!)…a minha preciosidade de menina está desafiando todos os livros que já li sobre educaçao infantil nesses últimos dias! São dias de discórdia!

A vilã da história? A cozinha! Sim, a cozinha! E parece que não tem phosphorus que dê jeito nessa tormenta! (não é do fósforo de ligar o fogão que estou falando, tá, gente! (risos!), é um remédio homeopático!!!). Agora que a “faladeira” dela está solta, as novas preferências estão tomando conta do nosso dia-a-dia. É na cozinha que a Stella se realiza! São as receitas que a fazem falar, e muito, na frente do espelho! “Oi, eu sou a Stella. Hoje nós vamos fazer um bolo de arco-íris. Você vai precisar de…” E aí ela lista todos os ingredientes, modo de preparo, etc…

Enquanto está na frente do espelho tudo bem. Quando eu gentilmente a convido para a cozinha e começamos a pôr a mão na massa, aí começam os gritos, as frustrações, as discórdias. Tento imaginar mil formas de amenizar conflitos dentro da cozinha. Uso a previsibilidade como aliada, escrevemos a receita juntas, separo os ingredientes com antecedência quando dá, mas sempre há um elemento desencadeador de chororô. Seja porque ela quer bater a massa por apenas 5 segundos e já derramar na fôrma, seja porque ela não aceita a fôrma que eu escolhi de acordo com a quantidade de massa. São muitos os perrengues culinários que temos passado! Aliás, por mais disposta que eu esteja a dar vazão a esse gosto pela gastronomia da minha filha, devo admitir que fazer 5 receitas seguidas me custa algumas bandejas de ovos caipiras e algumas horas a mais na pia depois! A vida segue lá fora! Aí eu canto outro trecho da música…”há tanta vida lá fora, aqui dentro sempre como uma onda no mar”!! Não posso nadar, nadar e morrer na pia! (gostaram do trocadilho? haha!)

Bem, esse é o resumo da nossa ópera. Ganhos que vêm nos surpreendendo caminham de mãos dadas com situações tempestuosas e tentativas frustradas de manter a paz. Imagino que talvez esteja lidando com alguma situação clássica da infância que deveria ter vivido há alguns anos atrás quando ela tinha 3 ou 4 anos. Birras, comportamento opositivo. Mas, como houve um atraso significativo no desenvolvimento ela só está vivendo essa fase agora. Também tento pensar em todos os fatores biológicos e sensoriais que podem estar envolvidos nesse processo. Tenho que lembrar a mim mesma com frequência que com tanta mudança e amadurecimento da minha filha dentro do espectro, muito provavelmente, o processo neuroplástico se dá meio estabanado (se algum neurologista ou neurocientista estiver lendo isso… 🙂 ) e daí o corpo responde dessa forma desorganizada. Os picos no desenvolvimento da Stella geralmente vêm acompanhados de turbulências comportamentais. (quero continuar acreditando nisso para não pirar, não contestem minha tese, por favor!).

A cozinha é um ambiente sensorial riquíssimo e eu não pretendo subtrair esse prazer da vida dela. Custem quantos ovos caipiras orgânicos custarem! Porém, preciso descobrir como ajudá-la a “reger a orquestra” com harmonia dentro da cabecinha dela porque no momento ela é capaz de decorar e escrever uma receita, mas ainda não é capaz de aceitar que bater pouco a massa pode deixar tudo empelotado! São nesses momentos de conflito que ela não modula mais o tom de voz, grita mesmo, bate o pé…

Estou, como sempre, na fé no Pai que olha por nós desde sempre e na força que aprendi a ter. Lendo, estudando. Desencanando e enlouquecendo num espaço de um minuto entre uma coisa e outra. Sendo grata a Deus e aos amigos. Sendo feliz por ter amigas especiais e uma médica mais danada que eu!

Às vezes levando tudo muito a sério e me sentindo mareada, às vezes simplesmente fechando a porta da cozinha, escondendo a chave e cantando…”nada do que foi será…”

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Que Barbie, que nada! No Natal ela ganhou espátulas, forminhas de silicone e outros utensílios culinários!

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About Evellyn Diniz

Hoje eu sou super mãe! Me formando todos os dias nas áreas de saúde e educação. Mas antes de adquirir super poderes fui muitas coisas e ainda sou! Vendedora, professora de inglês, apresentadora de TV, editora de imagens, cantora de banda de rock e fiz faculdade de jornalismo... Atualmente sou mãe e esposa em tempo integral e cuido da casa nas horas vagas! Minhas 3 filhas são minha continuação e minha continuidade. A caçula chama-se Stella Bertille que significa estrela brilhante. Ela veio ao mundo para mudar o mundo para mim, ela veio ao mundo para brilhar! Stella está vencendo o AUTISMO. Este blog é por ela. Destina-se a ajudar pais e mães a entenderem que o PODER de fazer nossos filhos atingirem a plenitude pertence aos pais. Aqui compartilho videos, fotos, matérias, experiências e pensamentos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Coloque a sua capa e sua roupa de herói que os desafios aqui não são de faz-de-conta!

2 responses »

  1. Edson José Pacheco diz:

    Evellyn,
    É ótimo saber que o mundo tem pessoas como você!

    Tua luta e tua disposição em ajudar e compartilhar iluminam este mundo.
    Linda a sua filha…

    Todo sucesso do mundo para vocês!

  2. Tatianny diz:

    O meu anjo também fala muito “essa foi por pouco” rsrsrsrs

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