Sally Thibault – Bullying na escola

Muitas coisas que ela falou aqui só se aplicarão a crianças verbais. Contudo, pais de crianças não-verbais podem se beneficiar de várias dicas aqui.

Muitas dicas dela batem bem com o Sonrise! Algumas coisas que ela falou me lembraram histórias e dicas do livro da Temple Grandin.

Vamos ao resumo:

Sally tem um filho Asperger. Desde cedo sabiam que ele era diferente, mas só foi diagnosticado oficialmente aos 12 anos. Entre 10 e 12 anos foi justamente a época de começarem a perceber que ele sofria bullying na escola.

Certa vez o filho dela chegou da escola muito cabisbaixo,  ele questionou o porquê do amigo dele ter feito com que ele ficasse triste. Sally percebeu que a forma como o filho dela lidava com relacionamentos e amizades gerava comportamento de rejeição nas outras crianças.

Sally decidiu não permitir mais que o filho dela fosse sempre a vítima. Decidiu ensiná-lo condutas diferentes para lidar com o problema e dar a ele ferramentas de defesa que pudesse usar também ao longo de toda a vida. Ela percebeu que o bullying estaria presente ao longo de toda a vida do filho e que o melhor seria ajudá-lo a ter o controle da situação e auto-confiança.

Dicas da Sally:

1)Tomar nota de comportamentos diferentes em casa (agressividade, aversão à escola), pois nem sempre os adolescentes contam para os pais por dois motivos:

a-Eles podem pensar que esse tratamento em relação a eles é natural

b-Eles podem não ter as palavras certas para descrever o que sentem e o que pensam da forma como os colegas agem. Pode ser até que eles só saibam descrever sintomas físicos: “minha barriga dói quando ele diz isso”, “minha cabeça esquenta quando o fulano fala essas coisas para mim”. O principal impacto é na auto-estima deles.

2)Não levar para o lado pessoal:”sofri bullying na infância e n vou deixar acontecer com meu filho”, pois perder a cabeça é a pior coisa. Não se trata de vc e sim da criança. Agir com sobriedade e apresentar soluções concretas para a criança e para a escola. Reações exacerbadas dos pais podem levar a criança a não confiar mais nos pais para resolver o problema porque percebem que isso afeta muito a mãe/pai. É sempre bom ter o parceiro ou amigo(a) para ajudar a pensar cada atitude. Descontrole emocional só vai tornar a vida do seu filho mais difícil e vai fazer com que ele se feche mais.

3)Envolver a escola. Os professores n entendem a dimensão que o bullying tem para crianças do TEA, pois justamente a interação social é a parte mais difícil para elas. Conscientizar o professor e diretoria da escola. Traçar objetivos para acabar com a situação, estabelecer prazos e cobrar deles. Qto aos colegas é importante ensinar sobre as diferenças para obter respeito. A escola tem que promover a consciência dos demais alunos e estabelecer conseqüências para quem praticar bullying.

Ela frisa que criar filhos no TEA é sempre como uma maratona. São crianças que não vão adquirir as ferramentas sociais de defesa do dia para a noite. Precisam de muito treino para isso (adiante dicas de como treiná-los). Crianças típicas desenvolvem estratégias sociais mais rápido, pois possuem outra percepção do mundo. A percepção deles é mais ingênua e pode levar anos até que aprendam a se defender sozinhos. Cabe a nós ensinar essas estratégias de forma clara e objetiva.

Como dar ferramentas a eles:

1)Conversando sempre ajudando a perceberem seus sentimentos. Ex:quando o fulano chama vc disso o que vc sente? Raiva? Medo? Isso que ele diz é verdade? O que vc acha que devemos fazer?

2)Dando a eles o modelo. Um bom amigo age assim. Um mal amigo age assim. Descrever objetivamente.

3)Na escola o professor deverá substituir “não sabe” por “como podemos ajudá-lo a…” Ex: “Mãe, ele não sabe brincar de jogos no pátio, pois fica frustrado.” = ERRADO. Coloque assim: “de que modo podemos ajudá-lo a se envolver em atividades de forma que ele não fique frustrado?” Trabalhem isso insistentemente.

4)A dica mais preciosa. O ambiente do lar deve ser O MODELO, deve ser a primeira escola da vida para o autista. Os laços de família. Os pais e irmãos devem estar preparados para ajudá-lo a desenvolver seu senso de humor, sua capacidade de não levar tudo tão à sério. Como?

a)com jogos, ensinando a esperar sua vez e a perder. (ela conta que muitas vezes se o filho dela perdia no jogo de Jenga as peças “voavam” longe dentro de casa e daí os pais diziam que ele não poderia mais jogar até que se acalmasse e pudesse se recompor para voltar a brincar)

b)filmes de humor, ensinando-o a rir das coisas, que nem tudo sai como planejamos.

c)Piadas (nem que tenha que explicá-las) e brincadeiras em família como um “sacanear” o outro em alguma coisa, rindo da situação toda. Ensinando a pregar peças (sadias) nas pessoas. Isso dará mais flexibilidade ao autista. (ela fala que muitas vezes nos prendemos muito ao ambiente terapêutico e deixamos de lado os aspectos leves da vida, a convivência em família)

Outras dicas para o filho na escola:

-O bully quer reação, ensine a n reagir e contar a alguém responsável que ele se sente desconfortável diante da situação. O filho da Sally hoje qdo se sente ameaçado vira as costas e sai, às vezes até da risada e sai.

-Ver se há possibilidade de ficar alguém da escola de olho no seu filho nesses momentos cruciais: no pátio, biblioteca, sala de computação que é onde o bullying mais ocorre.

-Se a criança fala pouco ensinar da forma como ela sabe dizer ao bully “NÃO” “SAI DAQUI” e mostrar ao cuidador na escola quem é o colega que o incomodou.

Observações gerais dela ao longo da palestra:

-Demora, mas eles aprendem essas habilidades sociais, mesmo que do jeito deles. Hoje o filho dela quando se estressa diz assim: “ Vou sair dessa situação, pois estou ficando muito bravo/estressado, preciso dar uma volta e ralaxar e me acalmar”  (isso me lembra a Temple!)

-Dizer ao seu filho que se importa com o que ele sente e mostrar que se fosse vc também estaria triste e/ou bravo. Isso mostra a eles que não são ETs, que todos se sentem assim em algum momento de suas vidas, até os pais!

-Ensiná-los a se defender e a lidar é mais que necessário, pois nem sempre estaremos por perto. Nem sempre é uma boa idéia dar uma de leoa e resolver a parada sozinhas.

-Encorajar as pessoas a não julgarem nossas crianças e a nós pais. Ela disse que as cças no TEA e nós, pais delas, somos as criaturas mais julgadas da face da terra. Eu digo #FATO !

-Promover atividades que fortaleçam a auto-estima do autista fora do contexto da escola, com a família. (alô Sonrise freaks!)

-Nível de cortisol em crianças do TEA que sofrem bullying na escola está no teto! Stress não combina com nossos anjos. (Alô biomed freaks!)

É isso!

Evellyn Diniz.

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